Intersindical de Trabalhadores protesta contra falas preconceituosas de vereador

Rodrigo, do Novo, insinuou que trabalhador afastado com atestado médico é “vagabundo”

 

Foto: Sérgio Homrich

Por Sérgio Homrich.

Com faixas e cartazes em mãos, dirigentes da Intersindical de Trabalhadores de Jaraguá do Sul e Região ocuparam o plenário da Câmara de Vereadores durante a sessão do dia 16 de dezembro. Junto aos muitos homenageados do dia, como a equipe multivencedora do Jaraguá Futsal que acaba de ganhar o título da Liga Nacional, a Orquestra Filarmônica da Scar, o também multicampeão e técnico do Flamengo, Felipe Luiz Karsmirski, natural de Jaraguá do Sul, e o comunicador de mídias sociais Max Pires, os dirigentes sindicais tinham uma determinação: protestar contra o vereador Rodrigo Livramento, do Novo, que chamou de “vagabundos” os trabalhadores afastados do trabalho mediante atestado médico, afirmando que existe uma “epidemia de atestados fraudulentos”. Na mesma sessão, o vereador Rodrigo votou contra a prioridade de assentos em ônibus a gestantes, idosos, portadores de deficiência e pessoas obesas. E já havia votado contrário ao apoio do Legislativo ao Piso Nacional da Enfermagem.

Rodrigo Livramento – Vereador pelo Novo em Jaraguá do Sul

O vereador Rodrigo destoou de tantas homenagens devido ao seu preconceito contra a classe trabalhadora. Os representantes dos mais de 76 mil trabalhadores e trabalhadoras jaraguaenses aguardaram mais de três horas para se manifestar. Durante pouco mais de 10 minutos, os dirigentes do Sinte, professor Francisco Assis Rocha, e do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde, Almir Alexandre, utilizaram a Tribuna Popular da Câmara. Francisco instigou os vereadores a instaurarem uma CPI para investigar a suposta fraude de atestados médicos. “Se existe exagero de atestados carimbados pelos médicos, somente outro médico poderá questionar”, advertiu, e “se o médico foi coagido a assinar o atestado, é caso de polícia”, lembrou. Também exigiu políticas públicas que assegurem melhores condições de vida para os trabalhadores e familiares, como transporte coletivo, moradia, segurança, acesso à educação, ao lazer, ao atendimento médico. “Somos a Intersindical e não iremos admitir adjetivos pejorativos, criminalização ou ataques a qualquer trabalhador”, finalizou.

Foto: Sérgio Homrich

Almir Alexandre seguiu a mesma toada. Esclareceu ao vereador Rodrigo que “os sindicatos não fazem baderna, mas lutam por direitos e pela proteção ao trabalhador”, e que “sem sindicato não há democracia”. Almir lembrou que em Jaraguá do Sul “se trabalha diuturnamente, sem muitas vezes o trabalhador ter direito a um descanso adequado com sua família” e reivindicou o apoio da Câmara à luta dos Sindicatos pelo fim da escala 6×1. “Trabalhador quer e merece Vida Além do Trabalho”, afirmou. O diretor do Sindicato da Saúde ainda frisou que atestados “fazem parte do ato médico e é direito do cidadão”, conforme o Art. 112, parágrafo único do Código de Ética do Conselho Federal de Medicina. “Chamar trabalhador de vagabundo, dizer que ele intimida e coage médico é uma falácia e, se for verdadeiro, que o profissional denuncie”. E apresentou dados: Um trabalhador formal morre a cada 3 horas e meia no Brasil (foram 32 mil mortes entre 2012 a 2024), Santa Catarina é o 5º Estado com mais registros de acidentes de trabalho, o país registrou, no mesmo período, 37 mil e duzentos acidentes de trabalho com jovens entre 14 a 17 anos de idade. O que se espera a partir de agora é que a Câmara tome as medidas cabíveis e que denúncias infundadas de um vereador não se repitam.

 


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