Membros democratas do Congresso rejeitam ordem de bloqueio militar contra a Venezuela

Declarações de Sanders, Ansari, Beyer e Van Hollen aumentam o descontentamento no Congresso após o anúncio de Trump de um bloqueio total aos petroleiros venezuelanos

 

Para vários legisladores, a escalada contra a Venezuela também serve como uma tática de distração para evitar o enfrentamento das dificuldades econômicas internas, ao mesmo tempo que abre caminho para um confronto militar sem a aprovação do Poder Legislativo. Foto: EFE

TeleSUR com agências.

Parlamentares democratas nos Estados Unidos expressaram sua forte oposição à ordem do presidente Donald Trump de iniciar um bloqueio militar e naval contra a Venezuela, alertando que se trata de uma escalada militar com o objetivo de forçar uma mudança de regime e se apropriar dos recursos energéticos venezuelanos.

A congressista Yassamin Ansari classificou a iniciativa como “profundamente alarmante” e afirmou que esta é uma guerra que “o povo americano não quer e que o Congresso não autorizou”. Segundo a congressista, trata-se de uma ação “imprudente e criminosa” que põe em risco a estabilidade regional e a vida de cidadãos americanos.

Na mesma linha de raciocínio, o senador Chris Van Hollen denunciou a narrativa do combate ao narcotráfico como um pretexto, afirmando que o verdadeiro objetivo da ofensiva contra Caracas é “apoderar-se das reservas de petróleo e gás da Venezuela para benefício dos aliados bilionários de Trump”.
O senador alertou que a Casa Branca está colocando americanos em risco por interesses econômicos privados, e não por razões de segurança nacional. “Isso não tem nada a ver com o combate ao narcotráfico”, enfatizou Van Hollen. “Trata-se de belicismo para impor uma mudança de regime e saquear recursos estratégicos”, afirmou, aludindo ao destacamento militar dos EUA no Caribe e à ameaça de apreender petroleiros venezuelanos em águas internacionais.

As críticas surgem em meio à crescente insatisfação interna com as políticas econômicas e comerciais do governo Trump, o que prejudica a unidade não só no Congresso, mas também dentro do próprio Partido Republicano. Além disso, contribui para a falta de confiança na atual administração.

O deputado Don Beyer também comentou o assunto, observando que, antes da posse de Trump, os Estados Unidos criavam, em média, mais de 168 mil empregos por mês, enquanto nos sete meses seguintes à implementação de suas políticas tarifárias, apenas 119 mil empregos foram criados. Beyer enfatizou que o desemprego atingiu seu nível mais alto em mais de quatro anos, fato inclusive reconhecido pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles.

Para diversos legisladores, a escalada contra a Venezuela também serve como uma distração das dificuldades econômicas internas, ao mesmo tempo que abre caminho para um confronto militar sem aprovação legislativa, em violação à Constituição dos EUA.

Como afirmou Bernie Sanders, também congressista democrata, “Não precisamos que Trump nos arraste para uma guerra ilegal e inconstitucional com a Venezuela para desviar a atenção das crises que nosso país enfrenta”. Ele denunciou o slogan “América Primeiro” e a própria política MAGA como demagógicas.

As declarações de Sanders, Ansari, Beyer e Van Hollen aumentam a crescente preocupação em setores do Congresso em relação ao anúncio de Trump de bloquear completamente os petroleiros venezuelanos, uma medida que a Venezuela denunciou como um ato de pirataria internacional e uma tentativa de impor um bloqueio naval de fato.

À medida que o governo dos EUA intensifica a pressão sobre a Venezuela, políticos, cidadãos e ativistas nos Estados Unidos alertam que uma guerra no Caribe não seria apenas ilegal, mas também politicamente custosa e moralmente indefensável, e advertem que o conflito poderia escalar incontrolavelmente, afetando tanto a região quanto os interesses do povo americano.

O anúncio de Trump surge após a apreensão, pelas forças americanas, de um petroleiro na costa da Venezuela na semana passada, uma ação incomum que se soma à crescente presença militar na região do Caribe.

Ao mesmo tempo, ele designou o governo venezuelano como uma organização terrorista estrangeira. Ele também afirmou, sem provas, que o governo bolivariano recorre ao “drogasterrorismo, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros”, apesar de organizações internacionais, como a ONU, terem declarado recentemente a Venezuela um país livre de drogas.

O destacamento militar dos EUA no Caribe e no Pacífico tem sido acompanhado por ataques contra embarcações de pesca civis, resultando na morte de pelo menos 95 pessoas em 25 ataques conhecidos contra navios.

A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, confirmou as tentativas dos EUA de apreender bens venezuelanos. Trump “quer continuar explodindo navios até que Maduro se renda”, declarou em entrevista à Vanity Fair publicada nesta terça-feira.


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