Por Fernando Borroni.
Há mãos que não se dão. Não é uma questão de ideias ou visões políticas, é uma questão de humanidade. Há mãos que, ao apertá-las, deixam fissuras difíceis de reparar, entre elas pequenos fios de sangue que buscam um caminho para a justiça.
Há mãos que se estendem para multiplicar a vida e há mãos que se entorpecem para matar. Essas não, Lionel… essas não. Você não. Porque os meninos olham para você com o olhar terno e ingênuo da infância, para eles tudo o que você faz é o que eles desejam fazer. Essas mãos não, Lionel. Porque, por causa delas, o mundo está em guerra, matando milhares de pessoas, a maioria crianças, meninos e meninas que, sem dúvida, em algum momento vestiram sua camisa.
Lionel, se você não soube levantar a taça da Copa do Mundo na nossa Praça de Maio por não fazer política, por que agora sim? Que tristeza que você não coloque nada do que você é em risco para defender a vida. Que pena que você não levante sua voz, ouvida em todo o mundo. Para ser grande, é preciso viver a vida em grande estilo, e isso tem que doer. Que pena que você não saiba colocar em jogo o imenso amor que o mundo lhe dá com toda a justiça. Essas mãos não, Lionel. A habilidade dos seus pés não cura a insensibilidade das suas mãos. Que pena!
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