
Por Lilia Schwarcz.
Em dezembro de 2025, a Arquidiocese de São Paulo, liderada por Dom Odilo Scherer, determinou que o padre parasse de transmitir suas missas pela internet; suspendesse suas atividades nas redes sociais por tempo indeterminado
O próprio padre disse que recebeu a decisão com “resiliência e obediência”, afirmando que continua pertencendo à arquidiocese e que as missas seguem normalmente de forma presencial.
A Igreja descreveu a medida como um “período de recolhimento”, sem explicar publicamente as razões.
Por sua vez, a Folha de S Paulo informa que a Prefeitura de São Paulo vai fechar o centro comunitário São Martinho de Lima, que distribui diariamente 450 refeições para pessoas em situação de rua na Mooca, zona leste de São Paulo.
O centro de convivência existe no local há mais de 30 anos e teve o padre Júlio Lancellotti como fundador — hoje o religioso não tem mais ligação com a administração do espaço.
A gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que a decisão pelo encerramento foi tomada após estudos técnicos e é fruto de um processo de requalificação da rede de assistência social da cidade.
Diz ainda que os moradores serão atendidos em outros espaços.
Na história, os justos são sempre perseguidos. A quem interessa calar o Padre Júlio?

Lilia Schwarcz é historiadora e antropóloga. É doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP)
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