
“Terrorismo de Estado de Baixa Intensidade”
A ex-presidenta destacou que “os olhos do mundo” estão de olho no país, pois ele vive uma situação de “terrorismo de Estado de baixa intensidade”, fruto da “deriva autoritária” do governo de Javier Milei.
“Custou-nos muito construir a democracia argentina para permitir que ela fosse desmantelada passo a passo. No entanto, essa mesma democracia está agora sendo esvaziada por dentro por um governo que se autodenomina ‘libertário… mas só concede liberdade aos mais ricos’”, observou.
Para ilustrar, a CFK mencionou as prisões de Alexia Abaigar, Eva Mieri e outras três pessoas acusadas de colocar excrementos e uma faixa em frente à casa do deputado José Luis Espert. A ex-presidenta afirmou que as mulheres, todas ativistas e peronistas, foram detidas por ordem da ministra da Segurança, Patricia Bullrich, a pedido de Espert.
Ele também lembrou do Plano Nacional de Inteligência, que “autoriza a espionagem interna contra qualquer pessoa que ‘corroa a confiança’ na narrativa oficial”.
“E como se não bastasse, agora Bullrich quer que a Polícia Federal possa monitorar o que as pessoas postam nas redes sociais sem mandado, além de prisões preventivas sem qualquer crime… Você está reclamando da situação do país?… Você está zombando do partido governista nas redes sociais?… Aí talvez a polícia bata à sua porta. Já vimos como isso acontece em outros países, e parece que eles querem importar isso também”, disse ele.
Ele também mencionou os ataques do governo à imprensa e que, segundo uma reportagem da Repórteres Sem Fronteiras, durante o governo Milei, a Argentina teve o maior declínio na liberdade de imprensa do mundo.
Para CFK, “eles estão transformando o país em um experimento continental” com “Milei e os Meninos Caputo”, que promovem: “Salários de fome, privatização total, rendição absoluta ao Fundo Monetário Internacional”. E lembrou que o ministro da Economia já havia anunciado que depois das eleições de outubro, “virá a verdadeira motosserra: reforma da Previdência, reforma trabalhista e reforma tributária”.
“Nós vamos voltar.”
Mesmo assim, a ex-presidenta alertou que o plano “não vai funcionar para eles”. Ela convocou a população a se unir e se organizar para defender seus direitos. “Assim como as centenas de milhares que marcharam na Praça de Maio em 18 de junho. Eram muitos para serem intimidados. E nós, argentinos, somos muitos para sermos mantidos sozinhos, assustados e vigiados”, afirmou.
Ela acrescentou: “Porque temos algo que eles nunca terão: um ‘nós’. E um ‘nós’ do tamanho e da história do povo argentino… ele não se cala nem para. Esse ‘nós’ sempre volta. Lula demonstrou isso no Brasil, e nós também o faremos.”
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