Chapecó: Projeto aborda a consciência ambiental através da arte

Foto: Camila Almeida

Como utilizar a arte como ferramenta de sensibilização às causas ambientais? Foi fazendo essa pergunta que as artistas Manon Alves e Camila Almeida, de Chapecó, desenvolveram um projeto que reúne as duas linguagens: pesquisa e criação em artes visuais a partir da abordagem ambiental. O Projeto Retomada iniciou seu percurso em julho de 2024, contemplado pelo Edital das Linguagens 2024, da Prefeitura de Chapecó, sendo a principal política pública cultural desenvolvida no município.

“A ideia foi juntar nossas áreas de pesquisa e de atuação nas artes e pensar essas diferentes técnicas para abordar a crise climática e a nossa responsabilidade, tanto individual quanto coletiva, frente ao que acontece agora, neste momento em nosso país, na nossa comunidade e no mundo” explica Camila.

Para Manon Alves essa abordagem é urgente “se não utilizarmos nossos campos técnicos de atuação para falarmos disso agora, talvez depois não dê mais tempo”.

A pesquisa adentrou as técnicas de papel machê, performance, fotoperformance, colagem e lambe-lambe, oportunizando a fusão dessas linguagens para criar uma narrativa visual potente sobre a relação entre humano, natureza e território. Partindo da criação de máscaras inspiradas em animais  da nossa região, como símbolos de resistência e alerta, as personagens Urubu, Formiga e Gambá ganharam vida no corpo da artista em performances fotográficas que passearam por espaços cotidianos. As imagens impressas receberam intervenções manuais a partir de técnicas de colagem e se transformaram em murais, em lambe-lambe, pelas ruas da cidade.

Arte e consciência ambiental

“Retomada” questiona diretamente o lugar do ser humano e propõe uma reflexão sensível sobre o impacto ambiental das nossas atitudes. Ao ocupar o espaço público com ações simbólicas e poéticas, convida a comunidade a pensar sobre pertencimento, responsabilidade ambiental e coletividade para este enfrentamento.

As ações aconteceram na rua como local de encontro com o público, sendo inserida na rotina das pessoas, saindo dos espaços convencionais para estar em locais acessíveis e democráticos. De acordo com as artistas “a arte pode tocar onde discursos racionais não chegam. Por isso levamos nossa obra para as ruas, para onde o cotidiano pulsa e a cidade pode dialogar com seus conflitos. Trazemos como resultado deste um ano de pesquisa e criação, um trabalho artístico e educativo”.

Com classificação livre e acesso gratuito, a proposta contempla toda a comunidade chapecoense. Além das intervenções urbanas, o projeto realizou uma contrapartida social com uma oficina de lambe-lambe, ampliando  o alcance da ação para diferentes públicos e territórios.

Valorização da arte local

Manon Alves e Camila Almeida são artistas com ampla atuação no cenário cultural do Brasil. Ambas trazem em suas trajetórias experiências com artes cênicas, visuais, educação e ativismo cultural, e vêm desenvolvendo projetos que valorizam a arte contemporânea no interior de Santa Catarina, promovendo visibilidade e para a  região.

Através do apoio do Edital de Fomento e Circulação das Linguagens Artísticas de Chapecó, a dupla amplia sua atuação e pesquisa artística, transformando a cidade em uma galeria a céu aberto, em que cada muro pode ser um espaço de fala entre arte e comunidade.

“É muito bom estar por diversos lugares levando o nosso trabalho, mas desenvolver algo pensado para ser discutido com a nossa comunidade é algo que engrandece a nossa pesquisa, a nossa caminhada e o resultado do nosso trabalho”, finaliza Manon.

Acompanhe mais sobre o Projeto nas redes sociais.


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.