O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, explicou na segunda-feira (25) os motivos que levaram o governo Lula a não conceder o agrément a Gali Dagan, indicado por Israel para assumir a embaixada no Brasil.
As declarações foram divulgadas pelo G1.
No mesmo dia, Israel anunciou que desistiu de nomear um novo diplomata para representar o país em Brasília.
Segundo Amorim, não houve veto formal, mas o Itamaraty optou por não responder ao pedido em razão da forma como o governo de Benjamin Netanyahu tratou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer, no ano passado.
“Tentativa de humilhação”
Meyer foi chamado a dar explicações após uma declaração do presidente Lula que comparou a guerra em Gaza ao Holocausto. Diplomatas brasileiros avaliaram que a condução do embaixador ao Museu do Holocausto pelo chanceler israelense, Israel Katz, foi uma “tentativa de humilhação”.
“Não houve veto. Pediram um agreement e não demos. Não respondemos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”, disse Amorim, citado pelo portal.
Brasil condena firmemente ataque de Israel a hospital de Gaza que matou vinte pessoas
O governo brasileiro expressa firme condenação aos bombardeios de forças israelenses realizados em 25 de agosto contra o hospital Nasser, em Khan Younis, Sul da Faixa de Gaza, que provocaram a morte de ao menos 20 palestinos — incluindo jornalistas e trabalhadores humanitários — e o ferimento de outras dezenas de pessoas.
Hospitais e unidades médicas gozam de proteção especial pelo Direito Internacional Humanitário, e ataques a tais instalações podem configurar crimes de guerra, conforme as Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais. O bombardeio contra o hospital Nasser soma-se a um padrão reiterado de violações perpetradas pelo governo de Israel contra a população palestina. A responsabilização por tais atos é condição essencial para evitar sua repetição e assegurar justiça às vítimas.
O governo brasileiro conclama a comunidade internacional e os mecanismos competentes das Nações Unidas a assegurar a realização de investigação independente, imparcial e transparente, de forma a garantir a devida responsabilização pelos atos.
Ao reiterar apelo por cessar-fogo imediato, o Brasil insta o governo de Israel a interromper os ataques contra a população civil de Gaza, a assegurar aos jornalistas o direito de desempenhar livremente e em segurança seu trabalho e a levantar restrições vigentes à entrada de profissionais da imprensa internacional e de ajuda humanitária naquele território.
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





