
Carta à militância, ao movimento negro e ao povo catarinense
Santa Catarina vive um tempo decisivo. Um tempo em que a democracia exige coragem. Em que a representatividade não é um símbolo, é um projeto político. E em que mulheres negras decidiram não recuar. Nós, mulheres negras pré-candidatas pelo Partido dos Trabalhadores em Santa Catarina, tornamos pública nossa posição de unidade.
Unidade política.
Unidade estratégica.
Unidade histórica.
Sabemos que há, na cultura política brasileira e, especialmente, na catarinense, uma expectativa antiga e recorrente: a de que mulheres negras sejam colocadas umas contra as outras. Que disputam migalhas. Que se fragmentem. Que confirmem a narrativa da divisão. Não confirmaremos!
Nossa presença nas urnas não é fruto de improviso. É fruto de trajetória, de formação política, de inserção social, de base construída e de compromisso coletivo. Somos diversas em estilo, linguagem, território e atuação. E é justamente essa diversidade que nos fortalece. Não estamos em guerra. Estamos em projeto. Há espaço para todas nós. Há eleitorado para todas nós. Há demandas históricas que exigem mais de uma voz.
Ao movimento negro catarinense, fazemos um chamado fraterno e estratégico: este é um momento de consciência eleitoral. Vivemos um momento em que há candidaturas negras viáveis, estruturadas, com condições reais de disputa e vitória. Candidaturas com diferentes perfis, diferentes campos de diálogo, diferentes formas de comunicação, mas com o mesmo compromisso com justiça racial, democracia e transformação social.
Não se trata de preferência pessoal. Trata-se de construção de poder político. Não se trata de disputa interna. Trata-se de ampliar a representação. O estado que por tanto tempo inviabilizou nossas existências agora presencia nossa organização. E isso não é acaso, é maturidade política.
Seguiremos fazendo nossa caminhada com firmeza, com propostas, com responsabilidade e com respeito. Sem ataques entre nós. Sem alimentar expectativas alheias ao conflito. Sem permitir que a sociedade dite a forma como devemos nos comportar politicamente.
Nossa unidade não é uniforme. É estratégica. Nossa diversidade não é fragmentação. É potência. E nossa candidatura não é simbólica. É competitiva.
Santa Catarina precisa se reconhecer em sua própria pluralidade.
E nós estamos prontas.
Assinam,
Mulheres negras pré-candidatas do PT em Santa Catarina.
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