A violência extrema da direita

O vírus dessa violência sempre esteve presente nas entranhas da extrema direita

Foto: Ricardo Stuckert

Por Sebastião Costa.

Jimmy Carter perdeu a reeleição e foi pra casa descansar. Seus eleitores democratas aceitaram ‘democraticamente’ a derrota. Kamala, democrata como Carter também sentiu o dissabor de uma derrota e o Capitólio seguiu sua rotina sem sobressaltos. Já o republicano Trump, montado no seu direitismo sem cabresto transformou o amargor de uma derrota num estímulo aos extremistas a invadirem e depredarem o Capitólio.

Lula perdeu uma, duas três eleições e foi pra casa cantarolando a canção de Chico: “Amanhã há de ser outro dia…” . E no outro dia ‘Lulinha paz e amor’ cheio de amor pelos pobres e desamparados ‘inventou’ MINHA CASA MINHA VIDA, botou dinheiro no bolso de quem não tinha nada, aumentou o mínimo salário de quem tinha muito pouco, enfiou anel no dedo de filhos de domésticas, jogou o PIB do Brasil lá nas nuvens pra empatar com a Inglaterra e 30 milhões de pobres e desamparados foram curtir as mordomias da classe média.

Dilma foi impeachementgolpeada com o auxílio luxuoso do oba-oba global, do antipetismo da Folha, do Estadão ultraconservador. Foi pra casa empurrada pela voracidade monetária da Faria Lima, pelos negocistas do Agro e com a devida participação da Fiesp do Pato Amarelo. Petistas e esquerdistas do Brasil deglutiram a revolta e lá na Praça dos Três Poderes “o dia amanheceu em paz”.

Já o paulista Haddad perdeu a eleição para o bolsonarismo violento. Saiu dessa derrota de cabeça erguida e com muita serenidade aguardou quatro anos para gerenciar uma economia crescendo acima das profecias do mercado, reduzindo o desemprego ao menor da história, retirando o país do mapa da fome, com a inflação domesticada e os pobres menos pobres!!!

Mas eis que de repente o Brasil de eleições pacíficas, se tornou violento feito os trumpistas republicanos. E ponha violência nisso! Na fúria desenfreada, só faltaram derrubar os edifícios dos três poderes.

E a estruturação dessa violência começa com a opção do vice, um general cheio de estrelas e vazio de votos. Seguiu inundando as repartições públicas com militares, fazendo reunião com embaixadores e questionando a lisura da eleição. Apenas a eleição que ele foi derrotado.Mais grave: incentivando acampamentos exigindo intervenção militar. E foi dos acampamentos que a galera abastecida com energia golpista incendiou caminhão, pôs bomba em aeroporto e cheia de fúria superou seus correligionários do Capitólio, promovendo a mais violenta agressão (física) às instituições democráticas já vista em nosso país. E no amanhecer do outro dia surgiu um Brasil mais conflituoso com os poderes constituídos desarmonizados.

Um olhar no retrovisor político de nosso país e vai-se enxergar lá nos anos 60, a direitona fora do poder, e com muito mais ‘competência’ do que trumpistas e bolsonaristas, derrubou um governo legitimamente eleito para jogar o país nas trevas de uma ditadura militar, com o devido assassinato de nossa democracia e a morte de muitos brasileiros. Conforme os anseios e reinvindicações dos acampados em frente aos quartéis, insuflados pelos apelos recorrentes daqueles que planejaram repetir a mesma violência praticada por seus colegas de 1964.

Violência física e política!

A pura verdade, é que o vírus dessa violência sempre esteve presente nas entranhas da extrema direita. Ao longo da história passeou com imensa desenvoltura lá pela Itália e Alemanha dos anos 30/40 e recentemente ressurgiu com toda força no coração do primeiro ministro israelense, alimentado pelo extremismo desenfreado do trumpismo americano.

Palmas para a justiça de nosso país, que com o julgamento dos golpistas lança ao mundo um exemplo de como se deve agir para inibir o instinto ditatorial dessa extrema direita, sedenta de poder e sem qualquer afinidade com os preceitos da democracia.

Sebastião Costa é médico pneumologista, escritor e apresentador do programa Ar Puro no Portal Desacato

 


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