Por Raul Fitipaldi, para Desacato.info.
Tarcísio de Freitas estendeu um tapete azul para receber um dos filhos prediletos do trumpismo e bezerro de ouro do sionismo contemporâneo. A recepção dedicada a Javier Gerardo Milei, o devastador da Argentina, foi um dos atos no contexto do lançamento da campanha do “príncipe do fascismo” brasileiro, o filho do pior e mais monstruoso presidente que o Brasil já teve, a quem pretende emular e até superar na entrega e destruição do país.
É razoável, para quem não esteja a par dos “êxitos” desse ser indecifrável que sempre vai acompanhado da sua irmã, não menos enigmática, saber quais são as conquistas do melenudo roqueiro, antes influenciador e comentarista, e fiel mosqueteiro da fracassada Escola Austríaca de economia e do anarcocapitalismo.
Antes de irmos aos “acertos” de Milei, um detalhe sobre sua irmã, Karina, aquela que muitos consideram a presidenta de fato da Argentina. Karina Milei foi nomeada pelo seu irmão, nepotista explícito, como Secretária-Geral da Presidência da Argentina. Seu currículo para tanto, antes de assumir com seu irmão as rédeas do vizinho país, era vender bolos e tortas por encomenda e fazer leitura de tarô. Moralmente, nada contra isso, poderia ser dentista, por exemplo, como a esposa do “príncipe”. O raro é como vendendo bolos chegou tão longe.
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Bem, dito isto, vamos elencar os grandes sucessos de Javier Milei que se transformaram em sonho úmido do “príncipe” e seus amigos.
Desemprego
Só no primeiro trimestre, janeiro, fevereiro e março de 2026, o desemprego cresceu na Argentina para 7,8%, atingindo mais de 1,1 milhão de pessoas desempregadas.
O setor privado com carteira assinada e o funcionalismo público perderam centenas de milhares de postos de trabalho devido ao plano de ajuste e à baixa do consumo interno.
Fome e pobreza
A fome e a pobreza aumentaram de forma expressiva desde o início da gestão de Javier Milei devido ao forte ajuste fiscal, gerando crises de abastecimento em restaurantes populares sociais. A pobreza disparou e atingiu 52,9% dos argentinos no final de 2024, alcançando o pior patamar em duas décadas.
Perda de soberania
A política externa dos convidados a desfilar pelo tapete azul do governador de São Paulo é de forte subordinação aos interesses dos Estados Unidos e da entidade sionista de Israel, enfraquecendo a autonomia diplomática argentina. O país vizinho deixou o BRICS e se transformou numa espécie de enclave dos interesses de Trump e o seu corolário Donroe e do seu aliado sionista, Benjamin Netanyahu.
Projetos de flexibilização for export permitiram a entrada de capital estrangeiro sem qualquer restrição que beneficie aos argentinos e argentinas. As multinacionais e grandes milionários de outros países estão se apoderando de terras produtivas e recursos estratégicos numa onda de entrega total do patrimônio nacional.
Como se pouco fosse, um país que tinha saldado a sua dívida com o FMI durante os governos kirchneristas voltou a estar submetido por inteiro às políticas fiscais impostas pelo Fundo Monetário Internacional.
Para não nos estender com o desastre em que também sobrevivem à míngua, a ciência, a tecnologia e a educação no governo dos singulares Karina e Javier, só acrescentaremos que a Doutrina Libertária defende uma limitação total do gasto público, que deve ser direcionado, segundo o neoaustríaco, à segurança e ao poder judicial. E só. O restante deve ser privado. Segundo a doutrina do amigo do “príncipe do fascismo” a ciência, a educação, a saúde, tudo o que é direito do cidadão, deve ser impulsionado pela iniciativa privada e guiado por critérios de eficiência de mercado.
Essa é a mensagem para o Brasil que trouxe a família Milei para a família Bolsonaro: a destruição, a exclusão, a perseguição, o desmonte, o desinvestimento, a ignorância, a entrega aos Estados Unidos e à entidade sionista de Israel, a pobreza extrema. E, no crepúsculo, o extermínio das maiorias, tal como fez o “mito” durante a pandemia, apoiado pelo “príncipe”, a madrasta e setores da mídia e da burguesia nacional. Você gostaria de viver num país assim?
Raul Fitipaldi é jornalista, cofundador do Portal Desacato e da Cooperativa Comunicacional Sul.
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