Tapete azul para um modelo de destruição do Brasil

O governo de Javier Milei tornou-se um laboratório de choque ultraneoliberal e autoritário, usado para testar políticas de desmonte do Estado e retirada de direitos. Se Flávio Bolsonaro vencer, o Brasil corre o risco de importar essa mesma agenda de exclusão, entrega e destruição social.

Por Raul Fitipaldi, para Desacato.info.

Tarcísio de Freitas estendeu um tapete azul para receber um dos filhos prediletos do trumpismo e bezerro de ouro do sionismo contemporâneo. A recepção dedicada a Javier Gerardo Milei, o devastador da Argentina, foi um dos atos no contexto do lançamento da campanha do “príncipe do fascismo” brasileiro, o filho do pior e mais monstruoso presidente que o Brasil já teve, a quem pretende emular e até superar na entrega e destruição do país.

É razoável, para quem não esteja a par dos “êxitos” desse ser indecifrável que sempre vai acompanhado da sua irmã, não menos enigmática, saber quais são as conquistas do melenudo roqueiro, antes influenciador e comentarista, e fiel mosqueteiro da fracassada Escola Austríaca de economia e do anarcocapitalismo.

Antes de irmos aos “acertos” de Milei, um detalhe sobre sua irmã, Karina, aquela que muitos consideram a presidenta de fato da Argentina. Karina Milei foi nomeada pelo seu irmão, nepotista explícito, como Secretária-Geral da Presidência da Argentina. Seu currículo para tanto, antes de assumir com seu irmão as rédeas do vizinho país, era vender bolos e tortas por encomenda e fazer leitura de tarô. Moralmente, nada contra isso, poderia ser dentista, por exemplo, como a esposa do “príncipe”. O raro é como vendendo bolos chegou tão longe.

Leia mais: Os enclaves estrangeiros que já existem em solo argentino e que Milei busca expandir

Bem, dito isto, vamos elencar os grandes sucessos de Javier Milei que se transformaram em sonho úmido do “príncipe” e seus amigos.

Desemprego

Só no primeiro trimestre, janeiro, fevereiro e março de 2026, o desemprego cresceu na Argentina para 7,8%, atingindo mais de 1,1 milhão de pessoas desempregadas.

O setor privado com carteira assinada e o funcionalismo público perderam centenas de milhares de postos de trabalho devido ao plano de ajuste e à baixa do consumo interno.

Fome e pobreza

A fome e a pobreza aumentaram de forma expressiva desde o início da gestão de Javier Milei devido ao forte ajuste fiscal, gerando crises de abastecimento em restaurantes populares sociais. A pobreza disparou e atingiu 52,9% dos argentinos no final de 2024, alcançando o pior patamar em duas décadas. 

Um grande conflito social, político e judicial aconteceu quando o governo reteve toneladas de alimentos destinados a cozinhas comunitárias sob alegações de auditoria e combate a supostas fraudes de ONGs. O encarecimento das tarifas básicas — luz, gás, água e saneamento —, da saúde pública e a inflação inicial comprimiram severamente o poder de compra das famílias das classes mais baixas e, inclusive, atingiram fortemente a maioria dos setores da classe média.
Repressão e violência estatal 
O cenário econômico desolador, devido às medidas antissociais de Milei, originou protestos massivos que ainda hoje se presenciam na Argentina. É nesse cenário que acontecem manifestações contra cortes de gastos, reformas trabalhistas e mudanças na previdência, dentre outras afrontas aos trabalhadores e trabalhadoras. 
Essas legítimas mobilizações são enfrentadas com gás lacrimogêneo, spray de pimenta e balas de borracha pelas forças de “segurança”, chegando a episódios semelhantes aos acontecidos durante a ditadura, cujo saldo foi de mais de 30 mil desaparecidos no país. Presos sem causa nem provas; feridos, sobretudo entre pessoas idosas, jornalistas e até crianças pequenas, fazem parte dos desmandos autoritários desse governo.

 

Perda de soberania

Nunca, nem durante a longa ditadura do Plano Condor, a Argentina teve uma perda de soberania nacional tão acentuada como no governo de Javier Milei. Isso acontece principalmente devido ao alinhamento automático com os Estados Unidos, à abertura econômica irrestrita e aos acordos com o FMI.

A política externa dos convidados a desfilar pelo tapete azul do governador de São Paulo é de forte subordinação aos interesses dos Estados Unidos e da entidade sionista de Israel, enfraquecendo a autonomia diplomática argentina. O país vizinho deixou o BRICS e se transformou numa espécie de enclave dos interesses de Trump e o seu corolário Donroe e do seu aliado sionista, Benjamin Netanyahu. 

Projetos de flexibilização for export permitiram a entrada de capital estrangeiro sem qualquer restrição que beneficie aos argentinos e argentinas. As multinacionais e grandes milionários de outros países estão se apoderando de terras produtivas e recursos estratégicos numa onda de entrega total do patrimônio nacional.

Como se pouco fosse, um país que tinha saldado a sua dívida com o FMI durante os governos kirchneristas voltou a estar submetido por inteiro às políticas fiscais impostas pelo Fundo Monetário Internacional. 

Para não nos estender com o desastre em que também sobrevivem à míngua, a ciência, a tecnologia e a educação no governo dos singulares Karina e Javier, só acrescentaremos que a Doutrina Libertária defende uma limitação total do gasto público, que deve ser direcionado, segundo o neoaustríaco, à segurança e ao poder judicial. E só. O restante deve ser privado. Segundo a doutrina do amigo do “príncipe do fascismo” a ciência, a educação, a saúde, tudo o que é direito do cidadão, deve ser impulsionado pela iniciativa privada e guiado por critérios de eficiência de mercado. 

Essa é a mensagem para o Brasil que trouxe a família Milei para a família Bolsonaro: a destruição, a exclusão, a perseguição, o desmonte, o desinvestimento, a ignorância, a entrega aos Estados Unidos e à entidade sionista de Israel, a pobreza extrema. E, no crepúsculo, o extermínio das maiorias, tal como fez o “mito” durante a pandemia, apoiado pelo “príncipe”, a madrasta e setores da mídia e da burguesia nacional. Você gostaria de viver num país assim?

Raul Fitipaldi é jornalista, cofundador do Portal Desacato e da Cooperativa Comunicacional Sul.

 

 

 

 


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.