Apesar da dor indescritível que o genocídio em curso continua causando contra 2,3 milhões de palestinas e palestinos em Gaza, as sementes da nossa luta coletiva estão dando frutos. O extraordinário sumud (firmeza e perseverança) e a resistência popular do povo palestino, combinados com a solidariedade constante de pessoas em todo o mundo, empurraram o regime israelense de apartheid e colonialismo de assentamento para o isolamento mais profundo de seus 78 anos de história.
Estamos testemunhando provas concretas de que o movimento BDS está funcionando. Presente em cerca de 130 países, nosso movimento vem promovendo mudanças efetivas em políticas públicas, fazendo com que empresas cúmplices paguem um alto preço por sua participação e gerando a pressão internacional necessária para, em última instância, alcançar a justiça.
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A recente onda de sanções, desinvestimentos e impactos provocados pelos boicotes demonstra o que acontece quando pessoas comprometidas com a justiça se recusam a ser cúmplices de um genocídio. Do Estado espanhol e da Bélgica à Indonésia e à Califórnia; das universidades às instituições culturais; dos sindicatos aos governos municipais e muito além, os resultados concretos de nossa pressão já podem ser vistos.
A seguir, apresentamos apenas uma amostra dos impactos mais significativos alcançados pelo movimento BDS durante o primeiro semestre de 2026. Esses resultados demonstram que a organização estratégica e a ação coletiva podem aproximar o mundo do fim do genocídio promovido por Israel e do desmantelamento de seu regime de apartheid e colonialismo de assentamento.
1. ONU, organizações internacionais e regionais
- Em seu discurso diante de dezenas de milhares de pessoas durante o festival Uno Maggio, em Taranto (Itália), a relatora especial das Nações Unidas, Francesca Albanese, definiu o BDS como “o símbolo de um movimento não violento”, liderado pelo povo palestino, que “se recusa a ser reduzido à condição de vítima”, convidando pessoas de todo o mundo a se unirem à luta para pôr fim a toda forma de cumplicidade com os crimes atrozes cometidos por Israel.
- A relatora especial da ONU para o Direito à Alimentação, Sofía Monsalve Suárez, solicitou a investigação da colaboração entre o Programa Mundial de Alimentos e a empresa Palantir, durante o Fórum de Alto Nível “Aproveitamento da inteligência artificial, da digitalização e da governança de dados para a segurança alimentar e a nutrição”, em razão do papel desempenhado pela empresa em conflitos armados.
- O Comitê Nacional Palestino do BDS (BNC) organizou um evento paralelo, copatrocinado pelo governo colombiano, durante as reuniões do Grupo de Trabalho do Tratado sobre o Comércio de Armas (TCA), em Genebra. O BNC também apresentou informações estratégicas às delegações estatais do Sul e do Norte Globais nos grupos de trabalho, marcando a primeira participação oficial da organização nas reuniões do tratado.
2. Estados e governos locais
- A Bélgica impôs um embargo militar parcial contra Israel, seguindo o exemplo do Estado espanhol e da Eslovênia. O governo federal belga aprovou um decreto-lei real que estabelece sanções parciais ao comércio militar com Israel, citando as medidas provisórias e o “grave risco de genocídio” apontado pela Corte Internacional de Justiça.
- Foram anunciados 34 Espaços Livres de Apartheid durante uma coletiva de imprensa realizada na Praça Palestina Livre. Esses Espaços Livres de Apartheid estão localizados principalmente na Cidade do México e em outras regiões do país.
- O prefeito da cidade de Nova York, Zohran Mamdani, revogou uma ordem contrária ao BDS e à política da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês) adotada pela cidade. A medida representa um passo significativo para combater a chamada “exceção palestina” à liberdade de expressão e aos direitos civis nos Estados Unidos.
- Os municípios de Anderlecht, Ixelles e Jette, na Região de Bruxelas-Capital (Bélgica), aprovaram uma moção para adotar Políticas de Aquisição Ética (EPP, na sigla em inglês).
- O Conselho de Rhondda Cynon Taf, no País de Gales (Reino Unido), aprovou uma moção estabelecendo que os investimentos dos fundos de pensão não devem “financiar crimes de guerra, violações dos direitos humanos nem possíveis infrações ao direito internacional”, além de instar a Associação de Pensões do País de Gales a “concluir rapidamente a formulação e a implementação de uma política de exclusão”.
- A Audiência Nacional da Espanha determinou a realização de uma busca e apreensão nas instalações da Sidenor como parte da investigação sobre a venda de aço da empresa ao exército israelense.
- A intensa pressão exercida por ativistas do movimento BDS levou o Ministério da Defesa do Japão a interromper a aquisição de drones israelenses. As ações incluíram manifestações presenciais e uma greve de fome de dez dias.
- O Estado espanhol retirou sua embaixadora de Israel. O governo espanhol adotou uma medida firme, baseada em princípios, para protestar contra as violações sistemáticas do direito internacional cometidas por Israel contra o povo palestino.
- A Indonésia adiou as discussões sobre a chamada “Junta da Paz” de Trump, à medida que cresce a pressão popular liderada por coalizões da sociedade civil, entre elas o BDS Indonésia.
- O estado de Washington tornou-se o primeiro estado dos Estados Unidos a retirar investimentos de empresas cúmplices dos crimes cometidos por Israel, depois que o Escritório do Tesoureiro estadual vendeu títulos da Caterpillar avaliados em mais de 53 milhões de dólares.
- O Conselho Municipal de Richmond, Califórnia (Estados Unidos), aprovou uma resolução exigindo explicitamente um embargo de armas contra Israel, “incluindo o fim da assistência militar dos Estados Unidos e das transferências de armas e cargas militares”.
- Como parte de sua campanha para bloquear as exportações de carvão da África do Sul para Israel, o BDS África do Sul publicou um importante relatório estabelecendo os fundamentos jurídicos para pôr fim a essa cumplicidade.
- As investigações e o trabalho colaborativo sobre as exportações indiretas de petróleo venezuelano destinadas a Israel chamaram grande atenção para a narrativa do movimento BDS em torno da “lei do mais forte”, estabelecendo conexões entre Venezuela, Palestina e as guerras pelo petróleo.
- A Corte de Apelações de Bruxelas decidiu em favor de diversas organizações não governamentais e pessoas pró-Palestina que processaram o Estado belga por sua inação diante do genocídio em Gaza. O tribunal concluiu que o Estado belga falhou ao não adotar, em tempo oportuno, todas as medidas razoáveis para prevenir e interromper os crimes cometidos por Israel, especialmente após a Corte Internacional de Justiça (CIJ) reconhecer, em janeiro de 2024, o risco de genocídio.
- O governo dos Países Baixos concordou em proibir a importação e o comércio de produtos provenientes dos territórios palestinos e sírios ocupados por Israel. O primeiro-ministro declarou: “Os Países Baixos continuarão a levantar sua voz contra as violações do direito internacional.”
- As autoridades regionais belgas determinaram a inspeção de uma remessa da UPS, na qual foram encontrados dois pacotes contendo material militar destinados a Israel.
- A Suprema Corte da Nova Zelândia decidiu contra o Fundo de Pensão do Estado (NZ Super) por seus investimentos em empresas envolvidas em violações de direitos humanos praticadas por Israel, estabelecendo um precedente para fundos soberanos e de pensão em todo o mundo.
- Após dois anos de pressão da sociedade civil e de ativistas — entre eles o BDS Bolonha —, o município de Bolonha (Itália) aprovou finalmente uma política para incluir cláusulas éticas em suas compras públicas.
- A cidade de Pasadena, Califórnia (Estados Unidos), retirou seus investimentos de empresas do setor armamentista, de combustíveis fósseis e de prisões privadas.
- Após pressão de organizações de direitos humanos e da Campanha de Solidariedade à Palestina (PSC) do Reino Unido, o prefeito de Londres, Sadiq Khan, bloqueou um contrato de 50 milhões de libras esterlinas (66,4 milhões de dólares) entre a Polícia Metropolitana e a Palantir, alegando que representava uma “violação clara e grave” das normas de contratação pública.
- Organizações palestinas de direitos humanos obtiveram uma importante vitória judicial na Austrália ao obrigar o ministro da Defesa a fornecer acesso a informações relacionadas às exportações de armas para Israel, incluindo componentes destinados aos caças F-35.
- Após meses de pressão popular, mobilização comunitária e campanhas em favor do desinvestimento, Sacramento, Califórnia (Estados Unidos), retirou seus investimentos da Lockheed Martin e aprovou uma política de investimento socialmente responsável, comprometendo-se a desinvestir de empresas ligadas a graves violações dos direitos humanos e à fabricação de armas, entre outras atividades.
- A cidade de Urbana, Illinois (Estados Unidos), adotou uma política de investimento ético que determina que a cidade não investirá em nenhuma empresa cúmplice do genocídio cometido por Israel.
- A prefeitura de Amsterdã aprovou uma moção para adotar uma Política de Aquisições Éticas (EPP, na sigla em inglês).
- O Partido Verde da Finlândia declarou-se um Espaço Livre de Apartheid. Depois da Aliança de Esquerda, tornou-se o segundo partido com representação parlamentar na Finlândia a comprometer-se com os princípios do movimento BDS liderado pelo povo palestino.
- Estabelecendo um novo precedente internacional, as autoridades italianas bloquearam 27 contêineres de aço de uso militar destinados a Israel. Graças à investigação da campanha No Harbour for Genocide e à pressão do movimento BDS e de seus aliados, os contêineres permanecem retidos nos portos de Gioia Tauro e Cagliari, aguardando investigação. Trata-se de um feito sem precedentes na campanha contra o transporte marítimo de materiais militares, que contou com uma resposta coordenada dos parceiros do BDS em todo o Mediterrâneo. Até o momento, nenhum dos contêineres chegou a Israel. O caso demonstra que, apesar do apoio governamental contínuo, a mobilização popular pode bloquear a cadeia de abastecimento israelense.
- O navio de bandeira dinamarquesa Danica Violet, que transportava toneladas de material militar para a Elbit Systems, maior fabricante de armas de Israel, foi obrigado a alterar sua rota a partir de Cabo Verde após reportagens do The Ditch, da imprensa cabo-verdiana e da mobilização promovida pelo movimento BDS.
- Foram declarados os primeiros Espaços Livres de Apartheid na República Dominicana.
- No Brasil, foi lançada a campanha pelo turismo ético, e as mobilizações na Bahia receberam ampla cobertura da imprensa e promoveram grande mobilização na cidade de Itacaré. Medidas relacionadas à concessão de vistos e à investigação de criminosos de guerra estão sendo discutidas por órgãos do governo.
- Em conjunto com o Centro Europeu de Apoio Jurídico (ELSC, na sigla em inglês), lançamos dois novos conjuntos de ferramentas sobre políticas de aquisições éticas: um Guia Operacional e um Guia de Campanha. Esses materiais vêm sendo utilizados em campanhas municipais por toda a Europa e em outras regiões.
- O movimento BDS ampliou sua presença para cerca de 130 países, com a criação de novos grupos no Caribe, em El Salvador, Bósnia e Herzegovina, Dinamarca, Croácia, Letônia e Sérvia, entre outros.
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