Por Aram Aharonian.
O Senado dos EUA confirmou Louis Rinaldi como o novo embaixador no Uruguai, substituindo Heide Fulton, em uma nomeação que combina afinidade política com laços pessoais com o país.
Empresário da construção civil, jogador de golfe e confidente de Donald Trump desde os anos 90, Rinaldi nasceu na Itália e emigrou para Montevidéu quando tinha quatro anos com seus pais e seis irmãos. Ele morava em uma casa no bairro de Colón e depois se mudou para Melilla. Segundo ele, é torneiro mecânico formado pela Universidad del Trabajo del Uruguay e aos 19 anos mudou-se para os Estados Unidos, onde acabou montando uma construtora.
O novo embaixador chega no momento em que o Uruguai avança em seu projeto de busca de petróleo na costa marítima. Pesquisas sísmicas já estão sendo realizadas, antes de iniciar as escavações. A prospecção será realizada pela empresa norte-americana Chevron.
Em 12 de junho, na audiência para sua nomeação perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, ele descartou a possibilidade de o Uruguai ingressar no BRICS e afirmou que o país rejeitou o equipamento militar chinês.
Relações
As declarações de Trump sobre a imposição de tarifas recíprocas geraram um clima de incerteza nos mercados financeiros em todo o mundo. Essa situação também repercutiu no Uruguai, onde o dólar sofreu uma queda e o risco-país atingiu seu nível mais alto em dois anos.
O presidente Yamandú Orsi disse que o protecionismo dos Estados Unidos sob Donald Trump favorece hoje a realização do acordo de livre comércio de longa data entre o Mercosul e a União Europeia (UE).
Os membros fundadores do Mercado Comum do Sul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e a Comissão Europeia, em nome dos 27 países que compõem a UE, anunciaram em dezembro o fim das negociações para um tratado entre os dois blocos, mas sua aprovação enfrenta obstáculos, especialmente na Europa.
Os uruguaios veem “espaços de oportunidade” nos anúncios feitos por Trump. Junto com o restante do Mercosul, o país ficou no fim da lista das novas taxas, o que pode lhe dar vantagens sobre os concorrentes.
O Ministério da Economia e Finanças compartilha a visão de que o Uruguai está indo relativamente bem, já que o anúncio de Trump permite uma melhoria no acesso do Uruguai ao mercado dos EUA. “Em termos relativos e no curto prazo, o Uruguai se beneficia”, disse o vice-presidente da União de Exportadores, Facundo Márquez.
A subsecretária de Comércio Internacional dos EUA, Marisa Lago, visitou Montevidéu em abril de 2024, quando assinou um memorando de entendimento entre seu país e o Uruguai para colaborar no desenvolvimento de tecnologias críticas e emergentes. “Não esperamos que eles não negociem com a China”, mas vejam os EUA “como uma grande oportunidade” para fazer negócios e um país com o qual compartilham valores, disse ele.
Interferência
Em outubro de 2000, o embaixador dos Estados Unidos no Uruguai, Christopher Ashby, interveio rudemente, apontando que o plebiscito em defesa das empresas públicas em 1992 não deveria ser levado em consideração, que o tempo havia passado, que o mundo havia mudado e que o Uruguai deveria chegar a privatizações, bem como abertura internacional para licitações. Pura interferência.
Ashby afirmou que a taxa de desemprego do país se devia à existência de entidades públicas. As reações foram imediatas. Esse sinal de um quarto de século atrás era claro: os Estados Unidos são contra as empresas públicas uruguaias e valorizam essa política como contrária aos seus interesses.
Como Ashby, hoje Trump tem a possibilidade de dar uma lição à América Latina, fazendo cair seu clube sobre esse país pequeno e fraco, com uma esquerda unida que é um modelo para os da região, com empresas públicas e serviços estatais de todos os tipos que não são apenas bons, mas fazem parte da cultura e do imaginário do povo.
A abertura das entidades estatais à concorrência do mercado não afetaria apenas a economia do Uruguai, mas também a cultura social de seu povo. E no século XXI, a soberania humilhante está atacando a democracia.
Cooperação militar
A iniciativa responde às objeções apresentadas por Washington, que há anos sustenta que as regulamentações uruguaias sobre controle aeroespacial contradizem os acordos internacionais de aviação civil, como o Protocolo de Montreal, ao contemplar a possibilidade de abater aeronaves suspeitas de atividades ilícitas.
A cooperação militar com os Estados Unidos também tem sido forte nos últimos anos, com o Treinamento Conjunto de Intercâmbio Combinado (JCET) sendo realizado há um ano. Mas agora a Frente Ampla pediu ao Parlamento que “revise as condições” do acordo de cooperação militar com os EUA.
Além disso, a doação de equipamentos no valor de 14 milhões de dólares, promovida pelo Gabinete de Cooperação de Defesa da Embaixada, incluiu 13 viaturas Mamba MK7 com equipamento de comunicação multibanda, pacotes completos de manutenção e 6 cursos de formação e reparação operacional, equipamento a ser utilizado em futuras missões de manutenção da paz.
Aram Aharonian é jornalista e comunicador uruguaio. Mestre em Integração. Idealizador e fundador da Telesur. Preside a Fundação para a Integração Latino-Americana (FILA) e dirige o Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)
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