Memórias Amazônicas. Por Roberto Liebgott.

Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.

Veio, ao entardecer, a brisa soprada do rio antigo, que passa ao lado – quase silencioso – mas carregado de mística.

À beira da calçada, o braseiro aceso; sobre a grelha, o peixe aberto, uma fumaça que sobe lenta, carregada de aromas.

Despertam-me lembranças: memórias das ruelas, varandas e quintais tomados pelo cheiro da brasa, misturando-se ao frescor do rio.

Risos atravessam as praças, pessoas alegres vão, vêm e, enquanto o fogo doura o peixe, vê-se a farinha na cuia, a pimenta-de-cheiro e o tucupi morninho, como promessa de partilha.

A brisa da noite amazônica leva a fumaça, mas traz de volta as histórias conduzidas pelo rio: o pescador e suas redes, a força das mulheres ribeirinhas, o boto e suas malandragens, a saudade encravada no tempo.

Enquanto o peixe chia, a memória arde – mansa e perfumada – como se o passado tivesse aroma de peixe, de água, de terra, de encontros e de sonhos guardados numa natureza que ainda resiste.

Porto Alegre (RS), 11 de fevereiro de 2926.

Roberto Antônio Liebgott é Missionário do Conselho Indigenista Missionário/CIMI. Formado em Filosofia e Direito.

 

 

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