Jornalistas e comunicadores ímpares da classe trabalhadora. Por Raul Fitipaldi

Tem jornalistas que semearam o caminho com ética, qualidade e consciência de classe. Hoje, veteranos e veteranas dessa épica história ainda ensinam, aprendem e voltam a ensinar os comos e os porquês.

 

 

Foto: Sinergia

Por Raul Fitipaldi, para Desacato.info

Festejar é preciso? Sim, sempre que possível é necessário festejar. Há motivos que nos trazem a festa com atributos de dignidade, passada e presente, como aula para a construção da dignidade futura. No jornalismo sindical de Florianópolis houve, há e haverá dignidade. Tem jornalistas que semearam o caminho com ética, qualidade e consciência de classe. Hoje, veteranos e veteranas dessa épica história ainda ensinam, aprendem e voltam a ensinar os comos e os porquês.

Não é mais o jornalismo sindical de Florianópolis como foi nos anos 90 do século XX. De fato não é, nem o mundo é igual. Os avanços tecnológicos chegaram para mudar toda a forma de entender e executar o jornalismo. Os manuais de redação foram tesourados e reformulados para uma outra forma de informar e comunicar. A virtualidade e a velocidade tomaram conta de tudo, e a qualidade ficou refém do interesse pela aprovação da manchete.

Então, buscando a aprovação dos filiados, o que era jornalismo passou a ser, com raras exceções, apenas propaganda institucional. Triunfou a assessoria e perdeu o jornalismo sindical que era capaz de pesquisar, mobilizar, interferir em mentes e corações.

Naquela década, sem a tecnologia de hoje, na emergência de chegar em tempo na gráfica, acariciando a gramagem delicada e cheirosa do papel, textos, charges e capas eram degustados com amor e urgência. Florianópolis tinha uns e umas jornalistas apaixonados, sonhadores, muito profissionais e vinculados às lutas da classe trabalhadora. O salário era importante para elas e eles, pois muitos acabaram de se formar no fim dos 80 ou inícios da nova década e precisavam sobreviver e se desenvolver. Mas, e me consta, o que transcendia era o prazer de fazer e tocar fundo no coração dos servidores, funcionários, trabalhadores agrupados e organizados. A luta da classe era a pauta central sempre.

Corriam experiências coletivas que reuniam os jornalistas de diversas categorias. Tinha sindicatos com vários e várias jornalistas, uns focando a política, outros a cultura, o cinema, a revista, o jornal e todas as ferramentas que pudessem aparecer na sua frente. Esse jornalismo informava, formava e educava, sonhava na transformação da sociedade.

Ele ainda está vivo nas trajetórias desses e dessas jornalistas com maiúscula. Não eram simples amanuenses, eram jornalistas que honravam seu diploma. Recordar o papel do saudoso Pacheco, do mestre Cachoeira, do vozeirão de Gastão Cassel (á direita na foto de capa), do Samuel Pantoja Lima, da oestina Sandra Werle, da Alessandra Mathias, do Celso Vicenzi, por mencionar só alguns, e dos não jornalistas, mas, que fizeram como ninguém pela comunicação e a cultura sindicais, tal qual Dinovaldo Gilioli e Glauco Marques, é respeitar um passado que ainda os define no topo dos jornalistas e comunicadores da Classe Trabalhadora.

Dentre eles e elas, amorosa e sonhadora, dona de um  texto que chega ao coração dos trabalhadores, fotógrafa, solidária, poeta, com 36 anos dedicados sem pausa ao jornalismo sindical, está a pessoa que hoje, 12 de março, completa 56 anos de vida. A ela homenageio e a ela agradeço ser uma grandíssima combatente do jornalismo independente do Brasil. Rosangela Bion de Assis, minha colega, amiga e parceira de estrada há 13 anos, durante todos os dias e todas as horas. Feliz aniversário, ícone do jornalismo da classe que te admira e respeita.

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