
Florianópolis voltou a registrar uma das maiores inflações do país, segundo o Índice de Custo de Vida (ICV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc). No acumulado de 12 meses, a capital chega a 5,28%, acima da média nacional de 4,46% e atrás apenas da Grande Vitória. No acumulado de 2025, o cenário se repete: 4,72%, também o segundo maior entre as capitais pesquisadas.
Os itens que mais subiram no ano revelam o peso direto no cotidiano das famílias: o café em pó disparou 82,46%, o solúvel subiu 66,83% e alimentos como tomate e carnes seguem pressionando o orçamento. Alimentação e bebidas acumulam quase 10% de aumento.
O custo de vida avança enquanto a prefeitura insiste em uma agenda focada em turismo e grandes obras, sem apresentar políticas efetivas para conter o impacto dos preços sobre moradores que já vivem no limite. Habitação, transporte e serviços continuam encarecendo, mas a gestão municipal ainda não reconhece que a inflação local virou parte do problema estrutural da cidade.
Diante de mais um ano com os índices entre os mais altos do Brasil, surge um questionamento inevitável: Florianópolis está sendo administrada para ser uma cidade apenas para os ricos?
Enquanto a renda da população não acompanha a escalada de preços, a resposta parece se desenhar nas gôndolas, nos aluguéis e no silêncio do poder público.
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