Em 1964, a ditadura brasileira lançou uma série de golpes militares na América do Sul. Seus líderes militares, com o total apoio dos Estados Unidos, elaboraram e implementaram o Plano Condor, que se espalhou por todo o continente para assassinar ou fazer desaparecer figuras políticas. Eles também forneceram apoio logístico da embaixada em Santiago, Chile, para a derrubada de Salvador Allende em 1973. O aparato repressivo na região durante a Guerra Fria foi construído com base nessa combinação do Departamento de Estado (então liderado por Henry Kissinger) e do poder das Forças Armadas subordinadas a Washington. O comunismo, como é agora — e sem qualquer análise detalhada — era o inimigo que eles buscavam exterminar.
Mas o Brasil não é mais aquele Brasil, sem entrar em detalhes internos. Lula governa, um presidente democrático eleito três vezes por seu povo, que concorrerá a um quarto mandato em 2026. O que não mudou é a política intervencionista dos EUA. Anteriormente, ela era executada com métodos sangrentos. No século XXI, essa tarefa é assumida pelo mesmo Departamento de Estado, controlado por Marco Rubio — um falcão da Casa Branca —, mas com leis extraterritoriais do Congresso ou por meio da perseguição a outra agência-chave em Washington: o Departamento de Justiça. São fórmulas de baixa intensidade no chamado “quintal” do império.
Substituíram os métodos sangrentos por métodos incruentos. Uma espécie de Terrorismo de Estado 2.0 com pressão, boicotes, aumento de tarifas e muita fanfarra virtual. Nem política de canhoneiras, nem o porrete, nem a Aliança para o Progresso. A interferência descarada (lembre-se do que disse o futuro embaixador na Argentina, Peter Lamelas, um quase vice-rei do Rio da Prata) não tem slogan nesta fase. Se o nome da doutrina for mantido: Monroe, ela completará 202 anos em dezembro próximo.
Ninguém está seguro se não prestar homenagem aos EUA. Nem presidentes atuais ou anteriores, nem um juiz como Alexandre de Moraes, membro do Supremo Tribunal Federal. Eles se enquadram na mesma categoria de figuras do submundo passíveis de extradição ou de dirigentes do futebol, como aconteceu em 2015 com o escândalo do Fifa Gate. Trump não é Nixon, nem Reagan, para citar dois ex-presidentes do mesmo Partido Republicano. O que é constante e inalterável é a interferência dos EUA nos assuntos internos dos países do hemisfério para fins geopolíticos e qualquer pretexto. No caso do Brasil, significa ingressar no BRICS ou julgar e condenar Bolsonaro por ser um golpista.

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