A esse respeito, o secretário executivo da COB, Mario Argollo, afirmou que se trata de “um pacto de não traição”, no qual seus membros terão o mesmo peso na tomada de decisões.
Argollo opinou que, se o presidente não tiver a vontade de resolver a situação, “ele tem que sair”.
O principal dirigente da COB destacou, em declarações à rede Erbol, que não estão mobilizados por interesses pessoais ou setoriais, “mas pelas necessidades que, infelizmente, o governo central não resolveu até agora”.
Argollo acusou o Executivo de emitir normas em favor de certas famílias poderosas do país, da classe empresarial, dos agroindustriais, dos banqueiros e dos milionários, enquanto “para o povo, nada”.
Por sua vez, o líder da Federação de Camponeses Túpac Katari de La Paz, Vicente Salazar, enfatizou que as bases dessa organização social estão insatisfeitas com o governante.
“O povo já está cansado, as 20 províncias se manifestaram, a população nos ultrapassou, já está cansada deste governo e o único pedido das 20 províncias é a renúncia de Rodrigo Paz”, disse Salazar.
Por sua vez, o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, convocou as partes mobilizadas para o diálogo, após uma quarta-feira de confrontos no centro de La Paz, em que as tropas de choque tiveram que recorrer ao uso de gás contra grupos de trabalhadores fabris.
“Não só se recusam a dialogar, a conversar e a seguir esse caminho, como também optaram por ações violentas e intransigentes (…)”, afirmou em entrevista coletiva.
Ele advertiu que, “diante dessas reações, vamos manter uma posição firme. Como governo, não há espaço para abusos”.
Gálvez referiu-se à ocupação, por parte de dirigentes da COB e do setor fabril, dos escritórios do Ministério do Trabalho, fato que resultou na intervenção da polícia e na prisão de 13 dos envolvidos, que serão acusados de invasão de propriedade.
Segundo o porta-voz, tais ações constituem um ato de “assassinato sindical que vai contra a lei vigente e contra todas as reivindicações sindicais”; no entanto, ele insistiu no apelo aos manifestantes para que “se sentem à mesa”.
Por sua vez, após ser “resgatado” nesta quarta-feira pela polícia em meio aos gases lacrimogêneos da sede do Ministério do Trabalho, o titular da pasta, Édgar Morales, insistiu em convocar os dirigentes da COB para o diálogo.
No entanto, Argollo reiterou que se mantém o pedido de renúncia dessa autoridade, a quem a organização sindical não reconhece como um interlocutor digno de crédito.
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