
Por Graciela Caino.
As trabalhadoras e os trabalhadores do Centro de Informática e Automação do Estado de Santa Catarina (CIASC) aprovaram, por ampla maioria em assembleia geral híbrida realizada pelo SINDPD/SC, a deflagração de uma greve geral a partir do dia 17 de junho. A paralisação por tempo indeterminado é uma resposta ao descumprimento, por parte do Governo do Estado, da cláusula do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) prevista no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT 2025-2027).
Como o CIASC é a empresa pública estratégica que gerencia o banco de dados e a infraestrutura tecnológica do Estado, a suspensão das atividades e da manutenção preventiva pode paralisar sistemas vitais para o cidadão e para a máquina pública.
O Coração Tecnológico do Estado: O que está em jogo
A interrupção dos serviços técnicos e o congelamento de atualizações geram risco iminente de instabilidade nos seguintes setores:
Trânsito (Detran Digital): Lentidão ou suspensão na emissão de CNHs, documentos de veículos, vistorias e agendamentos.
Cidadania: O aplicativo SC Fácil, portal que reúne mais de 500 serviços públicos digitais ao cidadão, pode apresentar falhas ou ficar fora do ar.
Educação Pública (SISGESC): Interrupção no suporte a matrículas online, redes de internet escolares e diário de classe digital.
Segurança Pública: Riscos operacionais no sistema de delegacias civis e na plataforma iPEN de gestão prisional.
Máquina Pública: Atrasos em licitações eletrônicas, tramitação de processos administrativos internos e na emissão de guias de arrecadação de impostos estaduais.
Reflexo nas Ruas: Com os sistemas instáveis, órgãos públicos serão forçados a operar em modo manual, gerando longas filas e severa lentidão no atendimento presencial à população.
Diante do desrespeito, a luta se tornou inevitável
A categoria aguarda pelo novo plano de carreira há 22 anos e cumpriu rigorosamente todas as exigências burocráticas, estudos técnicos e limites financeiros impostos pelo próprio Executivo. No momento de homologar o acordo assinado, o Governo recuou e alegou impedimentos da legislação eleitoral para adiar a implantação, argumento este já classificado como superado pelas próprias equipes governamentais durante as negociações.
Leonardo Mecabô, dirigente do SINDPD/SC e servidor do CIASC, destaca que a paciência dos trabalhadores chegou ao limite absoluto:
“Não aceitaremos que um acordo assinado seja tratado como ficção ou empurrado para a próxima gestão. A greve é a nossa única ferramenta para defender a palavra empenhada e exigir respeito à valorização de profissionais que garantem a tecnologia pública de Santa Catarina há mais de 50 anos”, declarou Mecabô.
O sindicato lembra que o avanço nas negociações só aconteceu após a forte mobilização e greve realizadas em 2022.
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