Por Sebastião Costa.
Quem construiu os alicerces da fama de mocinho em 1882 foi o empresário James Duke numa diabólica parceria com o mecânico da Carolina do Norte, James Bonsak, inventor da primeira máquina de fabricar cigarros.
As fabriquetas então existentes produziam em cada turno cerca de 200 unidades. A máquina de Bonsak vomitava todo dia120 mil cigarros. E cadê clientela para inalar aquela fumaça tão atrativa? O jeito foi investir 25 milhões de dólares em PUBLICIDADE.
Junte-se a isso três eventos ocorridos na metade do século passado – A 1ª GUERRA, a 2ª GUERRA MUNDIAL e a RECESSÃO ECONÔMICA de 1929 que mexeram profundamente com a emocionalidade da população ao redor do mundo. Informe-se que a nicotina é uma droga psicoativa com ação ansiolítica promovendo o bem-estar fugaz experimentado pelos dependentes. Acrescente-se aí o CINEMA DE HOLLYOOD, responsável pelo charme e glamour do cigarro, promovendo sua ascensão indiscutível à categoria de um grande ‘mocinho’.
E foi assim que ele, o cigarro reinou absoluto em toda metade do século passado.
Quem bateu de frente com todo o prestígio do ‘mocinho’ foram os estudos científicos que se intensificaram nos anos 50. Descobriu-se que havia mesmo era muita maldade escondida naquela fumaça glamourosa expelida por toda grande atriz do cinema americano.
E foi em 1964 que o Departamento de Saúde dos Estados Unidos publicou o relatório TERRY respaldado em 7 mil estudos científicos desvendando a realidade cruel daquele ‘mocinho’.
Na verdade, o olhar científico enxergou ali o ‘bandido’ mais mortífero da história da humanidade: 7 mil substâncias, 69 cancerígenas; 56 patologias remetendo todo ano aos necrotérios do mundo 8 milhões de nicotínico dependentes. No Brasil são 160 mil tabagistas que todo ano não resistem às agressividades do infarto do miocárdio, câncer de pulmão, do enfisema pulmonar, protagonistas do arsenal de doenças promovidas pelo ‘bandido’.
Cavalgando na brutalidade dessas estatísticas, o surgimento dos programas de combate ao tabagismo promoveram uma conscientização da sociedade, base fundamental para iniciar um processo de reversão na prevalência do tabagismo no mundo.
No Brasil dos anos 90, 34% dos adultos fumavam, mas a competência dos Programas Públicos de Combate ao Tabagismo teve uma responsabilidade direta na redução do consumo de cigarros em nosso país. Os 34% dos adultos fumantes dos anos 90 foram reduzidos para 9,3% na pesquisa Vigitel de 2023.
A má notícia fica por conta dos números identificados no ano passado, apontando para uma realimentação do consumo da nicotina e suas companheiras cheias de nocividades. A enquete demonstrou que em 2024, 11,6% dos brasileiros estavam inalando as 7 mil substâncias da fumaça do cigarro. Destaque para o aumento de 36% entre as mulheres contra 25% dos homens.
Se lá nos confins do século XIX dois americanos deram o pontapé inicial para a ascensão do cigarro convencional(CC), em 2003, lá do outro lado do mundo, o chinês Hon Lik produziu os ‘enfeites’ para transformar novamente o ‘bandido’ em ‘mocinho’. Estamos falando do CIGARRO ELETRÔNICO (CE), que o faro monetário da indústria do tabaco enxergou como a imensa oportunidade para recuperar os prejuízos econômicos promovidos pela conscientização da sociedade.
No projeto, um investimento de 11 bilhões de dólares da Phillips Morris(fabricante do Marlboro) para colocar na cabeça do mundo que ele, o CE era inofensivo e ajudava os nicotínico-dependentes a largarem o CC. Uma balela que a realidade científica tratou de soterrar.
Ali naquele designer cheio de modernidade, com aromas e sabores diversificados estão todas as armas de um ‘bandido’, capaz de produzir câncer de pulmão, de boca e de lábios; de desenvolver o enfisema pulmonar, além de comprometer o sistema cardiovascular provocando infarto, hipertensão, AVC. Destaque especial para a terrível Evali, doença exclusiva do CE, que em 2019 transferiu para o outro mundo 68 usuários (média de idade de 24 anos ) de um total de 2.561atendidos nos serviços de emergência dos EEUU.
Pergunte-se a qualquer cidadão bem informado quais as maiores tragédias da humanidade e ele certamente vai afirmar com total convicção: A 1ª Guerra Mundial (1914- 1918) com 16 milhões de mortos; a Gripe Espanhola(1918-1919) – 40 milhões de óbitos e a 2ª Guerra Mundial(1939-1945) que extraiu a vida de 47 milhões de viventes. Some-se esses números e vai-se concluir que metralhadoras, fuzis, bombas e bazucas, coadjuvados pelo vírus H1N1, no intervalo de 31 anos extraíram a vida de 103 milhões de cidadãos ao redor do mundo.
Numa comparação objetiva dessa mortandade com as vítimas das 56 patologias da fumaça do cigarro e vamos observar que o tabagismo em 31 anos retira do nosso convívio 248 milhões de viventes. Com um detalhe: aquelas tragédias completaram seu tempo, mas o ‘bandido’ segue na sua rotina macabra de todo ano extrair a vida de 8 milhões de nicotínico dependentes.
Conclusão indiscutível:
TABAGISMO, A MAIOR TRAGÉDIA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE!

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