Sem Bandeijão, sem dignidade: O drama do bairro mais populoso de Chapecó

CÂMARA DE CHAPECÓ REJEITA REABERTURA DO BANDEIJÃO DA EFAPI ENQUANTO POPULAÇÃO SOFRE COM CUSTO DE VIDA NO MUNICÍPIO

Vereadores alegam que “quem trabalha não passa fome”.

Chapecó – A Câmara de Vereadores de Chapecó rejeitou, por 14 votos contra 2, o Requerimento 113/2025 do vereador Paulinho da Silva (PCdoB), que pedia informações sobre a reabertura do Restaurante Popular do Bairro Efapi. O projeto foi iniciado após abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas organizado pela Unidade Popular, mas foi derrubado após uma sessão marcada por declarações polêmicas de vereadores da base governista.

A SESSÃO QUE REVELOU O DESCASO

Durante a discussão, parlamentares alinhados ao prefeito João Rodrigues usaram argumentos que expuseram seu distanciamento da realidade da população mais vulnerável:

  • André Pagnussatt (Republicanos) afirmou que o Bandeijão “já cumpriu seu papel” e defendeu que o espaço continue sendo usado para a saúde;
  • Elisiani Sanches (PSD) repetiu o velho clichê de “ensinar a pescar, em vez de dar o peixe”, ignorando que muitos trabalhadores e trabalhadoras mal têm dinheiro para “comprar a vara”;
  • Dalvino Ferrari (PSD), morador da região, declarou que “quem trabalha não passa fome”, como se o salário mínimo bastasse para cobrir todas as despesas;
  • Neuri Manteli (PSD) provocou: “Ué, vocês não votaram no Lula para acabar com a fome?”, em tom de deboche, antes de sugerir que a comunidade teria que escolher entre saúde e alimentação.

A discussão esquentou quando Paulinho tentou rebater as falas de um colega. No dia seguinte, o requerimento foi rapidamente rejeitado, enterrando, por enquanto, a esperança de reabertura do restaurante. Mas a luta continua. 

A HIPOCRISIA DE QUEM NUNCA PASSOU FOME

Em entrevista ao JTT, o vereador Paulinho da Silva e a militante da Unidade Popular Pirilim denunciaram a hipocrisia da maioria dos políticos chapecoenses.

“O restaurante popular é uma política pública que atende toda a sociedade, inclusive e principalmente os trabalhadores da região. Quando não se tem argumentos, vem no caminho de deslegitimar a luta da Unidade Popular”, afirmou Paulinho.

Pirilim, trabalhadora da saúde e moradora da região, completou: “O preço dos alimentos está cada vez mais caro. O Bandeijão é uma política que ajudava muito a classe trabalhadora e principalmente as mulheres mães.”

O CUSTO DE COMER MAL

Com o fechamento do Bandeijão, trabalhadores da Efapi – onde vivem mais de 40 mil pessoas – enfrentam:

  • Aumento de gastos: Uma refeição completa no Bandeijão custava R$ 5, enquanto hoje um prato similar sai por R$ 25 ou mais em restaurantes comuns;
  • Tempo perdido: Quem trabalha longe de casa perde horas no deslocamento para almoçar;
  • Piora na alimentação: Muitos optam por comidas ultraprocessadas, mais baratas mas menos nutritivas.
O QUE VEM POR AÍ

Apesar da derrota na Câmara, a mobilização não acabou. A Unidade Popular e movimentos sociais já planejam novas ações, e você também pode ajudar assinando a petição abaixo:

https://peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR141588&fbclid=PAQ0xDSwKa0E1leHRuA2FlbQIxMQABpxui_Y-oshESrQmjHRSnEoLofVPLe-5frgxQy1cgO0Mmb-pBkY7xK1oQuxCD_aem_iK2Davb6nvZVkdpg0d16pQ

#BandeijãoJá #EFAPITemFome #VereadoresContraOPovo

Por Emi Pandolfo – Apresentadora do JTT em A Manhã Com Dignidade do Portal Desacato


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