Quem (ainda) apoia Israel? Por Francisco Fernandes Ladeira.

Por Francisco Fernandes Ladeira.

A geopolítica do Oriente Médio, definitivamente, está na agenda pública nacional. Assim como o bolsonarismo nos fez perceber determinados aspectos controversos de muitas pessoas, o apoio a Israel também revela as facetas mais sádicas do ser humano.

De maneira geral, dois grupos apoiam as ações de Israel. Os “ignorantes” (no sentido de desconhecimento sobre a realidade geopolítica do Oriente Médio) e os “perversos” (que, mesmo sabendo das atrocidades de Israel, ainda continuam favoráveis à entidade sionista).

Os “ignorantes” são alienados sobre a geopolítica do Oriente Médio a partir de dois discursos: o da grande mídia e o de certos pastores neopentecostais. No recorte midiático, Israel não é um Estado genocida, supremacista e colonial, mas vítima de vizinhos e países próximos hostis, seja os “terroristas” do Hamas, seja a “ditadura iraniana” dos aiatolás. Nesse sentido, o telespectador/leitor ouvinte, sem familiaridade com a temática geopolítica, é induzido a perceber uma outra realidade, criada pela manipulação midiática. Não raro, parte do público compra o falacioso discurso de “defesa de Israel”.

Já os fiéis de algumas denominações neopentecostais são ludibriados pelas pregações de pastores que, numa inversão das Escrituras, consideram o atual Estado de Israel como condição sine qua non para a volta do Messias. Consequentemente, por meio dessa distorção, defender Israel não seria uma questão geopolítica, mas religiosa.

No entanto, a grande maioria dos defensores de Israel não desconhece os crimes sionistas. Não têm a alienação como desculpa. São os “perversos”. Como dito, tal como o bolsonarismo, o apoio a Israel é uma oportunidade para destilar ódios e preconceitos, sob o argumento de os israelenses serem o “povo escolhido de Deus”.

Nas redes sociais, a cada comentário “que não falte munição a Israel”, em resposta a postagens sobre os crimes sionistas, percebemos que a humanidade se rebaixa a seus piores momentos. É algo similar a dizer, em outras épocas, “que não faltem câmaras de gás aos nazistas” ou “não faltem chicotes aos donos de escravos”.

Alguém que, conscientemente, apoia um Estado responsável pela matança indiscriminada de mulheres e crianças e impede acesso a itens básicos para dois milhões de pessoas, definitivamente, já perdeu qualquer traço de “humanidade”.

Francisco Fernandes Ladeira é Doutor em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Licenciado em Geografia pela Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac). Especialista em Ciências Humanas: Brasil, Estado e Sociedade pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Mestre em Geografia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

 

A opinião do/a/s autor/a/s não representa necessariamente a opinião de Desacato.info.


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.