Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre, e Ivan Cesar Cima, Cimi Sul – Equipe Norte RS.
No mundo, milhões de pessoas prendem a respiração diante das palavras criminosas que partem dos Estados Unidos, sob a voz de Donald Trump. Delas ecoam ameaças que atravessam mares e chegam ao coração do Irã.
No Estreito de Ormuz, estreito de águas e repleto de interesses, navegam não apenas navios — mas o peso de um mundo dependente, tenso e mergulhado na ânsia pelo domínio e pelo lucro.
Enquanto isso, o Irã não recua. Permanece na resistência, apesar das bombas e das mentiras. E, ao permanecer, revela ao mundo uma pergunta antiga, ainda sem resposta justa: quem decide quais nações podem deter os arsenais nucleares que destruirão o próprio mundo?
O Tratado de Não Proliferação Nuclear, que deveria ser promessa de equilíbrio, expõe fissuras – como um espelho quebrado – onde uma parte se vê segura, enquanto outras são vigiadas, contidas, ameaçadas ou aniquiladas.
Os governos pelo mundo temem, não pelas pessoas, mas pela economia; por isso, os mercados oscilam e também garantem fortunas.
Enquanto vidas são despedaçadas, os líderes calculam lucratividade e forças. Já os povos contam os mortos. São iranianos, palestinos, libaneses – rostos diferentes, mas as dores são irmãs.
O mundo parece vacilar entre o abismo e a possibilidade de recuo. Por um lado, a guerra parece ser inevitável; por outro, a humanidade é chamada, não à força bruta que se impõe, mas à coragem que busca interromper o caminho do abismo.
Que não seja o petróleo a mover a história, que não seja o medo a ditar o destino. Que se combata o espírito de guerra, pondo em seu lugar a centelha da paz que resiste. E ela não está nos arsenais, nem nos discursos de força, porque habita onde sempre habitou: na recusa de aceitar a morte como destino, na coragem de interromper o ódio, na memória de que toda vida é sagrada.
Que não seja o petróleo o senhor da história, que não seja, portanto, o medo a profetizar o nosso tempo; que se levantem vozes – não para justificar a guerra, mas para detê-la.
Porque, se o mundo continuar a arder, não haverá impérios, não haverá vitórias, não haverá discursos que permaneçam, apenas ruínas – e, sobre elas, o silêncio de Deus e o eco tardio daquilo que poderia ter sido evitado.
09 de abril de 2026.
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