Quando a máquina escuta demais: os perigos de trocar afeto por algoritmo

As pessoas estão confiando seus medos e segredos a máquinas que apenas imitam empatia. Quando a solidão encontra a IA, nasce uma ilusão perigosa de cuidado. Você também está caindo nessa armadilha?

No episódio do programa Tecnofeudália transmitido na última sexta-feira (1º de agosto), os apresentadores Thiago Skárnio e Frederico Guimarães levantaram uma pergunta inquietante: O que sobra quando abrimos mão da nossa humanidade? O episódio refletiu sobre os limites entre o humano e o tecnológico em tempos de avanço acelerado das inteligências artificiais. A discussão girou em torno do uso crescente dessas tecnologias como substitutas de vínculos afetivos e até mesmo de processos terapêuticos.

Com base em duas pesquisas – uma realizada no Brasil e outra nos Estados Unidos – os apresentadores alertaram para um fenômeno preocupante: muitas pessoas têm recorrido a IAs como forma de companhia e, em alguns casos, chegam a chamá-las de “terapeutas”. A pesquisa brasileira mostrou que 10% dos entrevistados usam inteligência artificial para desabafar ou pedir conselhos. Já nos EUA, o uso das IAs para “terapia e companhia” se tornou a principal função relatada em 2025. Para Thiago e Frederico, esse movimento é sintoma de uma crise de saúde mental agravada pela solidão e pela falta de acesso a atendimentos especializados.

Durante o programa, os apresentadores enfatizaram que as IAs não possuem consciência, sensibilidade ou empatia. São sistemas baseados em algoritmos estatísticos, que processam dados em grande escala para gerar respostas plausíveis, mas sem qualquer entendimento do sofrimento humano. O perigo, segundo eles, é acreditar que esses sistemas compreendem ou cuidam das pessoas. As IAs, na verdade, apenas reforçam aquilo que o usuário já espera ouvir, sem promover reflexão ou escuta real – algo essencial em qualquer processo terapêutico genuíno.

Por fim, Thiago e Frederico chamaram a atenção para o que consideram uma “tempestade perfeita”: um cenário de saúde mental fragilizada, desinformação sobre o funcionamento da tecnologia e falta de acesso a terapias públicas ou privadas. Nesse contexto, as IAs aparecem como alternativas fáceis e sedutoras, mas insuficientes. Para os apresentadores, é urgente ampliar a alfabetização digital crítica e garantir políticas que promovam o cuidado humano de forma ética e acessível. “São pessoas que cuidam de pessoas”, encerraram, reforçando a importância de fortalecer laços sociais reais em vez de delegar à tecnologia funções que exigem presença, escuta e vínculo.

Assista ao programa completo no vídeo abaixo.

O programa Tecnofeudália vai ao ar toda sexta-feira, às 19 horas, no Portal Desacato e redes.


Descubra mais sobre Desacato

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Are you human? Please solve:Captcha


Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.