Pesquisa usa erro já corrigido para moldar opinião pública e forçar a polêmica

A manchete do UOL “81% são contra opinião de Lula sobre traficantes” parece embutir mais do que uma simples leitura de dados. Ela carrega uma escolha deliberada de transformar um ato falho em opinião política

Foto: Reprodução
Por FolhadaPB/BasílioCarneiro.
O presidente Lula cometeu, é fato, um deslize verbal ao comparar a morte de um médico com as de traficantes, algo que ele próprio reconheceu e retificou publicamente. Mas a imprensa, e sobretudo o instituto Quaest, preferiram tratar o episódio como se fosse uma posição consolidada, um pensamento refletido, uma espécie de doutrina presidencial sobre criminosos.

Mesmo sabendo que se tratava de um erro de expressão, a Quaest incluiu a pergunta em sua pesquisa como se a frase fosse uma declaração de princípio. O gesto, mais do que apurar opinião pública, revela uma clara intenção de inflamar o debate, reforçando uma falsa equivalência e explorando um deslize de fala para medir rejeição política.

É um caso emblemático de como a fronteira entre o fato e a manipulação de percepção se dissolve. Quando uma pesquisa se alimenta de um erro já corrigido e a mídia o transforma em manchete, o objetivo deixa de ser informar e passa a ser moldar a narrativa.

No fim, o número “81%” diz menos sobre o que o povo pensa e mais sobre o que certos setores querem que ele pense.

 


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