Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Jorginho Mello (PL), governador de extrema-direita do estado de Santa Catarina, demonstrou, mais uma vez, que o conteúdo de suas palavras corresponde à pobreza de suas atitudes.
Ao ingressar na Terra Indígena Ibirama Laklãnõ Xokleng para gravar um vídeo de autopromoção diante da barragem de contenção de cheias, construída sobre um território sagrado, sem respeitar as lideranças nem solicitar autorização para sua entrada, revelou o desprezo que nutre pelos povos indígenas.
Quando mulheres Xokleng questionaram sua presença e exigiram respeito ao seu povo e ao seu território, ele respondeu mandando-as “à merda”. Não foi um simples destempero; foi uma manifestação explícita de racismo, misoginia e autoritarismo, dirigida justamente contra mulheres que defendiam a dignidade de seu povo.
A merda não são as mulheres Xokleng. O excremento, a degradação, está na conduta de quem transforma o exercício do poder em arrogância, desrespeito e violência verbal. Está na incapacidade de reconhecer que as terras indígenas possuem donos legítimos, história, memória e espiritualidade. Está na ignorância de quem acredita que um cargo público lhe autoriza a ultrapassar todos os limites do respeito.
Há governantes que elevam o debate público; outros o degradam. As palavras de Jorginho Mello revelam mais do que um momento de irritação: revelam uma visão de mundo marcada pelo preconceito, pela negação dos direitos indígenas e pelo desprezo às mulheres que ousam erguer a voz.
Quem ocupa o mais alto cargo de um Estado deveria ser exemplo de respeito institucional. Quando escolhe a grosseria, o insulto e a humilhação como linguagem política, o governante não diminui os povos indígenas; diminui a si mesmo e ao cargo que ocupa.
Os Xokleng permanecerão protegendo não apenas suas terras, mas também milhares de vidas e uma parcela significativa do território catarinense.
Os Xokleng permanecerão em seu território, defendendo sua memória, sua cultura e seus direitos.
Governadores que exalam excremento passam; a dignidade de um povo permanece.
Porto Alegre (RS), 09 de julho de 2026.
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