Pobres estadunidenses, vocês viram como os latino-americanos os obrigam a usar drogas?
Eles estão ali, tão tranquilos, em sua sociedade idílica, sem nenhum tipo de problema social ou vazio existencial que os empurrem a cair na adição a drogas. Quando de repente, do sul do continente, chegam com todas as más intenções para impor-lhes todo tipo de vícios debaixo do nariz.
Desculpem pelo duplo sentido, totalmente involuntário.
E, claro, o governo estadunidense tem de tomar medidas de todos os tipos. Ou seja, de todo tipo, exceto medidas que impliquem admitir que os Estados Unidos têm um grave problema de adição a drogas e devem tomar medidas internas urgentes, senão que concluindo que a culpa é de outros países.
Desde a época de Nixon, em Washington, souberam analisar o problema com muita responsabilidade, e declararam guerra às drogas. Sim, sempre fora dos Estados Unidos. E a coisa funcionou muito bem. Para as drogas, é claro!
Mas, bem, vamos tentar ver o copo meio cheio. De qualquer substância que seja.
Em cada país em que Washington interveio desde então, alegando que acabaria com o tráfico de drogas, os grupos criminosos se fortaleceram e a nação intervencionada entrou em uma onda de violência e instabilidade sem fim.
Sim, mas vocês já sabem, o que importa é a intenção. E se há alguém cheio de boas intenções neste universo, além do senhor do inferno, é Donald Trump, que determinou que o culpado de que milhões de estadunidenses fumem, cheirem e injetem tudo o que apareça em seu caminho é a Venezuela.
É por isso que a Casa Branca traçou uma estratégia infalível para surpreender o inimigo, confundindo-o.
Se quase todas as drogas trazidas para os Estados Unidos entram por terra, eles fixam seu objetivo no mar. Se a maioria das drogas que transitam por água ocorre pelo Oceano Pacífico, eles militarizam o Mar do Caribe. Se três países da região concentram a produção mundial de cocaína, eles miram em uma nação que não produz uma única grama. Se as rotas de trânsito de sul a norte passam por dois países aliados de Washington, eles não exigem nada deles e se concentram, por pura casualidade, em uma nação que consideram incômoda.
Um plano sem falhas, coroado por sua arma secreta: mobilizar todo o Comando Sul para bombardear lanchinhas em águas caribenhas. É claro que esse plano sem falhas custa milhões de dólares por dia. É uma forma de execução sumária que viola todo o direito internacional, afeta a paz de toda a região e, além disto, dado o volume de drogas consumidas nos Estados Unidos, por mais lanchinhas que venham a afundar, eles não vão solucionar, nem parcialmente, um problema que se arrasta por mais de meio século.
Bem, pode ser que a guerra às drogas não esteja cumprindo parte de seu propósito, a parte contra as drogas, para ser exato, mas funciona de forma ideal para a outra metade, a da guerra. A qual é quase um 50% a 50% na eficiência. Nada mal, vindo de um país tão acostumado a ver o cisco no olho dos outros, mas não a seringa enfiada no próprio braço.
Então, vamos ter um pouco de compreensão, caramba! Não é fácil combater o narcoterrorismo global quando se é a maior narcodemocracia do planeta.
Tradução ao português e legendas: JAIR DE SOUZA
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