Mais um aniversário da Revolução dos Cravos. Por Ernesto Parés.

Para não esquecer - 25 de abril de 1974

 

Imagem dos soldados com os cravos que lhes entregava o povo

Por Ernesto Germano Parés.

O fim da Primeira Guerra Mundial, uma guerra que marcou a nova fase do capitalismo global e as disputas entre nações imperialistas, e a posterior quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929, criaram as condições para o surgimento de ditaduras de um matiz que o mundo ainda não conhecia. Desemprego, inflação alta e preço dos alimentos nas alturas, criaram as condições para o surgimento do nazismo (Alemanha de Hitler), do fascismo (Itália de Mussolini e Espanha de Franco). E levou também Portugal para um caminho parecido quando António de Oliveira Salazar assumiu o poder, em 1932, implantando a ditadura salazarista.

Em 1968 Salazar sofreu um derrame cerebral, que resultou em sua substituição por seu ex-ministro Marcelo Caetano, que deu continuidade à sua política. E a decadência econômica que o país sofreu, em conjunto com o desgaste com a guerra colonial, provocou descontentamento na população e nas forças armadas, o que resultou na aparição de um movimento contra a ditadura.

E chegamos a 1974 com Portugal em uma crise econômica profunda e encalacrado nas chamadas “guerras coloniais”. Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, Cabo Verde, São Tomé, Macau e Timor. Portugal tentava manter seu enorme império na África, mas os custos financeiros e humanos eram enormes.

Em toda a África surgem movimentos independentistas, o que forçava a ditadura portuguesa a enviar cada vez mais militares de Portugal para as colônias. Dentro do corpo militar começam surgir resistências à essa política e logo vai se formar o Movimento das Forças Armadas — MFA (1973).

O MFA tinha, em sua origem, uma maioria de capitães que desejavam o fim imediato das guerras na África. Analistas explicam que foi uma consequência natural das guerras, que estavam perdidas.

No dia 25 de abril de 1974, explodiu a revolução. A senha para o início do movimento foi dada à meia-noite através de uma emissora de rádio tomada pelos rebeldes. Era uma música que havia sido proibida pela censura: “Grândola Vila Morena”, de Zeca Afonso. Os militares fizeram com que Marcelo Caetano fosse deposto. Ele acabou fugindo para o Brasil. A presidência de Portugal foi assumida pelo general António de Spínola. A população saiu às ruas para comemorar o fim da ditadura de 48 anos, e distribuiu cravos, a flor nacional, aos soldados rebeldes em forma de agradecimento, dando origem ao nome “Revolução dos Cravos”.

O capitão Delgado Fonseca, um dos participantes do MFA, lembra que na noite do dia 24 de abril ouviu-se pelo rádio a canção “E Depois do Adeus”. Os envolvidos já sabiam que era o primeiro sinal para que as tropas ficassem a postos.

Mais tarde, passando um pouco da meia noite do dia 25 de abril, veio o segundo sinal, também em forma de melodia. A canção “Grândola, Vila Morena” foi tocada, dando a confirmação para que cada tropa avançasse.

Antes do amanhecer do dia 25, os objetivos estavam alcançados. O governo tentou reagir, mas os oficiais se recusaram a lutar contra o movimento. “Foi uma revolução muito curiosa, porque o povo estava muito atrasado politicamente”. Com o raiar do sol no dia 25, e já informado pelos pronunciamentos do MFA via rádio, o povo foi para as ruas acompanhar a movimentação.

Com o fim da ditadura, também se extinguem os órgãos de punição e censura, sindicatos são legalizados, líderes de oposição retornam do exílio e presos políticos são soltos.

Com o tempo, os discursos ideológicos do capitalismo e a baixa formação política do povo português devolveu o país aos colos do sistema internacional e, mais tarde, ao neoliberalismo. Mas a “Revolução dos Cravos”, como ficou conhecida, não perde sua importância para estudarmos os movimentos sociais atuais.

Como cantou, depois, Chico Buarque:
“Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente em algum canto de jardim”

VIVA A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS!

CONTRA O FASCISMO E TODAS AS DITADURAS IMPOSTAS PELO CAPITAL!


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