Livro: O rei está nu

Por Leandro Renato Monerato.

A interligação do problema monetário e da questão agrária no seu sentido amplo, em que abarca não apenas a posse da terra, mas todos os recursos naturais monopolizáveis no desenvolvimento do imperialismo desde suas origens até os dias atuais, é o alvo deste livro, que é continuidade complementar do livro anterior Terra Fictícia: capital financeiro e renda fundiária.

O controle direto dos recursos naturais ocorre pari passu à elevação dos preços; ao invés de aumentar a riqueza dos países atrasados, aumenta a taxa de exploração pelos países imperialistas que controlam as políticas monetárias e cambiais dos países.

Através de uma coordenação mundial dos bancos centrais via Banco Mundial e FMI e da dolarização das reservas monetárias do mundo, os imperialistas avançam no controle direto da renda fundiária; é tal a exploração que se usa a maldição dos recursos naturais para descrever o fenômeno. Ao mesmo tempo, a equiparação da composição orgânica do capital na agricultura transforma seus preços em preços de monopólio, transformando os alimentos em arma geopolítica, especialmente pelos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo que a tecnologia no campo é visível, mais de 700 milhões de pessoas passam fome, segundo dados subestimados da FAO. A elevação da renda fundiária significa elevação dos preços dos alimentos e dos aluguéis. A extração de mais-valia fora do âmbito do trabalho fica cada vez mais insuportável. O livro mostra evidências que mostram o choque do petróleo de 1974 como efeito de uma política deliberada dos norte-americanos na elevação dos preços dos alimentos.

O epicentro da crise nos Estados Unidos já remontava à década de 1950 e tornou-se agudo com a Guerra do Vietnã. Para transferir o ônus da crise, serão anos de “diplomacia do dólar” até culminar no Golpe de Volcker em 1979 fazendo explodir crises de dívidas em todo o mundo colonial e semicolonial. Esses e mais outros temas são abordados após uma exposição teórica sobre dinheiro a partir da concepção marxista. O papel-moeda inconversível não retira o ouro do cenário monetário, pelo contrário, mostra que o sistema atingiu um grau de hipersensibilidade para crises monetárias como nunca antes.


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