Julho por Sônia Livre: movimentos seguem em mobilização por justiça para Sônia Maria de Jesus

Nos dias 23, 24 e 25 de julho, o Comitê Catarinense Sônia Livre recebe as companheiras do Comitê Sônia Livre de Campinas/SP para três dias de mobilização intensa pela libertação imediata de Sônia Maria de Jesus, mulher negra, com deficiência auditiva, mantida sob situação análoga à escravidão há mais de 40 anos na casa do desembargador Jorge Luiz de Borba, em Florianópolis. É da capital catarinense que mais uma vez vai ecoar o grito: Sônia Livre! Além de atividades culturais, oficinas, panfletagem e diálogos com a população sobre a situação de Sônia, a mobilização culmina com um grande ato no dia 25 de julho, sexta-feira, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. O ato tem início às 15 horas, na Praça Tancredo Neves, em frente ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC), no centro de Florianópolis.

“Estamos em mobilização cotidiana pela liberdade de Sônia. Nosso Comitê Catarinense, que reúne diversos movimentos, entidades e sindicatos, vem construindo relações com organizações de todo o país que também querem justiça e denunciam a escravidão moderna. Será um grande momento receber aqui em Florianópolis as companheiras de Campinas, São Paulo, que estão em movimento constante por lá também”, explica Vanda Pinedo, do Movimento Negro Unificado (MNU).

Sobre o caso Sônia:

Sônia Maria de Jesus, hoje com 51 anos, foi retirada da casa da família ainda criança, com cerca de 9 anos. Desde então, viveu sob ordens e servindo a família Borba. Não teve acesso à educação, à saúde ou a direitos trabalhistas. Nunca recebeu salário. Em 2023, a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, depois de denúncia recebida pelo Ministério Público do Trabalho, resgatou Sônia da casa dos Borba. Ela foi encontrada praticamente sem dentes, com mioma uterino e com as deficiências sensoriais agravadas pelo total abandono. A família só tomou conhecimento do seu paradeiro depois da denúncia e do resgate. Sua mãe, Deolina, morreu em 2016 sem reencontrar a filha.

Mas, apesar de todas as evidências da situação análoga à escravidão, em caso inédito na história dos resgates de trabalhadoras e trabalhadores nessas condições, Sônia foi devolvida aos algozes por decisão do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). Há dois anos, no país inteiro, mobilizações pedem a liberdade imediata e a retirada de Sônia da casa da família Borba.

PROGRAMAÇÃO JULHO POR SÔNIA LIVRE:

23 de julho

Das 15h às 20h – Panfletagem e recepção das companheiras de Campinas/SC

Praça Tancredo Neves

24 de julho

Das 8h às 19h – Panfletagem e oficina de silk e de faixas (tragam camisetas!)

Praça Tancredo Neves

25 de julho

Das 10h às 18h – Panfletagem e Manifestação de Rua (às 15h)

Praça Tancredo Neves

Links importantes: linktr.ee/comitecatarinensesonialivre


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