Golpe, Lulalá e ForaBolsonaro, nas ruas, nos shows… Por Flávio Carvalho.

Por Flávio Carvalho, para Desacato.info.

Da bruma leve, das paixões que vem de dentro” (Valença).

O início da campanha para as eleições presidenciais desperta atenção não somente dos brasileiros, mas do mundo inteiro, preocupado com os destinos de temas importantes como a emergência climática, o negacionismo de Estado, a Amazônia como pulmão do mundo, o extermínio das comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas – entre muitos outros.

Para os brasileiros, o que mais preocupa agora são dois temas essenciais: um conjunto de problemas relacionados à fome, à miséria, à precariedade econômica crescente e à vulnerabilidade social de milhões de crianças e famílias; e o clima de violência e ameaça institucional decretado pela atual Presidência da República – como estratégia de dar-se um autogolpe, vitimando-se por uma situação política caótica e desordenada, provocada com dinheiro público, ao perceber-se perdendo as eleições.

Depois de inúmeros atos realizados pela militância brasileira antifascista no exterior, com ampla repercussão em todo o Brasil e nos cinco continentes, surpreende-nos o absoluto descaso e desconsideração com que somos tratados na hora de somar-nos como aliados dos movimentos sociais brasileiros – que imensamente nos representam. Como nos custa gritar para que não se esqueçam de nós! Principalmente porque já sabemos nossa capacidade de repercussão na grande mídia e nas redes sociais, em cada pequeno ou grande ato que realizamos com êxito e significado.

Pacientes e compreensivos, encontramos uma explicação (como um conforto?). A comodidade de estar fora do nosso país, nos permite um olhar privilegiado: não estamos lá dentro da intensidade e do desespero, com um fascista em cada esquina esperando para nos golpear. Morar no exterior não é viver num paraíso de conto de fadas, mas não somos hipócritas ao negar que o nosso Brasil é, infelizmente, um campeão mundial de desigualdades sociais, de racismo, de machismos, de transfobias e homofobias e motivo de preocupação internacional pelo aumento da violência fascista organizada e incentivada de dentro do próprio Palácio do Planalto. Bolsonarismo Mata. É fato. Lamentável, mas é.

A boa notícia é a programação dos novos atos de resistência, nas ruas de todo o nosso país.

Mas, vocês achavam mesmo que a gente não se organizaria para realizar atos, também em todas as cidades onde moramos, no exterior? Acharam que iríamos ficar somente no ativismo de sofá?

Aqui estamos. De pé. O país é mais nosso também, a cada dia que passa, cotidianamente, nos nossos processos migratórios, exílios e autoexílios. Quanto mais “longe” nos sentimos, mas aumenta a sensação de Brasil dentro de cada uma de nós. Em 2007 eu já escrevia “Eu sou o Brasil em mim”.

O aumento histórico de duplicar o número de eleitores brasileiros no exterior, recentemente anunciado pelo TSE, é somente parte de um imenso sintoma. Em Paris, Barcelona, Bruxelas, Lisboa, Luanda, Tóquio, Boston, Vancouver, Líbano, para citar alguns poucos exemplos, a campanha eleitoral antibolsonarista não se resumirá a seguirmos gritando – os que podem pagar entrada – dentro dos shows brasileiros no exterior: Fora Bolsonaro e Lula Lá. À festa, não renunciamos. Nos custa, muitas vezes, separar festas de lutas.

Nosso sentimento é que se trata muito mais do que isso.

Sentimos, também nas nossas mãos, o destino do nosso país, a felicidade ou infelicidade das nossas famílias, os rumos de sonhos e esperanças das nossas melhores amigas.

Por tudo isso, estamos anunciando – e tenho certeza que é esta a intenção de todas as nossas companheiras da Fibra, Frente Internacional Brasileira contra o Golpe e pela Democracia – a volta das mobilizações e atos de rua, em cada capital e principais, pequenas ou grandes cidades, do mundo inteiro. Lá estaremos. Uma família somente segurando o cartazinho feito carinhosamente e criativamente pelas crianças? Sim. Seremos poucos e MUITOS. Mas seremos.

E, para concluir este texto, de conclamar a nossa mais aguerrida militância ao chamado coletivo das nossas companheiras de movimentos sociais no nosso próprio país, relato um fato curioso.

A Fibra tem um nome imenso (a meu ver), definido no seu encontro de fundação.

Frente Internacional Brasileira contra o Golpe e pela Democracia!

De tão extenso nome, porque se referia ao Golpistas, Temer e seus apoiadores corruptos – como agora mesmo se revelou pela própria Presidente Dilma – eu mesmo, Flávio, fui aos poucos abreviando, retirando a palavra Golpe, ao necessitar escrever o nome completo da Fibra.

Infelizmente, não preciso agora explicar-lhes porque – agora mais do que nunca – eu voltarei a escrever essa triste e desgraçada palavra GOLPE, ao mencionar o nome da FIBRA.

Tenho certeza que todas vocês já sabem o porquê.

Aquele abraço. A gente se vê nas ruas do mundo.

Leia abaixo o resumo das próximas datas e mobilizações.

JULHO

28 a 31 – Fórum Social Panamazônico (Belém/PA)

AGOSTO

01 – Reunião da Coalizão em Defesa do Sistema Eleitoral com o TSE

02 – Ato em defesa da democracia e pelo respeito ao resultado eleitoral no Senado

Federal.

05 – Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular da Saúde (São Paulo/SP)

10 a 12 – Aquilombar – Ação Quilombola em BSB

11 – MOBILIZAÇÃO NACIONAL no Brasil e no Exterior: FORA BOLSONARO: Em defesa da democracia e por Eleições Livres

SETEMBRO

05 – Dia da Amazônia

07 – Grito dos Excluídos

10 – MOBILIZAÇÃO NACIONAL: Em defesa da democracia, por eleições livres

(conforme a Coordenação da Campanha Fora Bolsonaro, 26.07.2022)

@1flaviocarvalho @quixotemacunaima. Sociólogo e Escritor.

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