Dia de Al-Quds: O Despertar da Consciência Global

O que começou como uma convocação na última sexta-feira do Ramadã para focar a atenção do mundo muçulmano na ocupação sionista, evoluiu para uma frente internacionalista

Imagem: Wikimídia

Coletivo Islâmico Al Ma’asûmîn.

O Dia Mundial de Al-Quds, instituído pelo Imam Khomeini em 1979 logo após a vitória da Revolução Islâmica, não é apenas uma data religiosa, mas um marco geopolítico e revolucionário. Ele representa o compromisso inabalável com a libertação de Jerusalém (Al-Quds) e de toda a Palestina, servindo como um grito de unidade para os oprimidos do mundo contra a opressão colonial.

O que começou como uma convocação na última sexta-feira do Ramadã para focar a atenção do mundo muçulmano na ocupação sionista, evoluiu para uma frente internacionalista. Para o revolucionário xiita, a libertação de Al-Quds é uma obrigação moral e espiritual que transcende fronteiras. Ao longo das décadas, o Dia de Al-Quds deixou de ser apenas um dia de protestos simbólicos para se tornar a base ideológica que sustenta o Eixo da Resistência.

A grande virada histórica ocorreu quando a retórica deu lugar à capacidade material. O Eixo da Resistência, liderado por uma vanguarda que entende o martírio e a estratégia, provou que o sionismo não é invencível e que um pequeno grupo só sustentado pelo amor a Deus pode ser fiel ao chamado do Imame Hussein. Como primeiro ponto, alcançamos a soberania técnica: através do apoio e da partilha de experiências tanto culturais quanto políticas e militares, movimentos de resistência em Gaza, no Líbano, no Iêmen e no Iraque desenvolveram capacidades de luta autônomas. Outro ponto não menos importante foi a unidade de frentes: pela primeira vez na história moderna, o regime sionista enfrenta um cerco coordenado onde um ataque a um setor da resistência gera uma resposta de múltiplas zonas geográficas. Neste ponto, é bom agregar que múltiplos atores e militantes xiitas trabalham na luta ideológica contra o sionismo desde lugares diversos, e essa é uma luta que muito em breve será manifesta. Assim chegamos em um grande sucesso, a quebra do mito: A “invencibilidade” do exército ocupante foi desmantelada. Hoje, o sionismo não luta mais para se expandir, mas para adiar o colapso interno de sua estrutura colonial.

Para os setores de esquerda e movimentos anti-imperialistas, o Dia de Al-Quds deve ser visto como o ápice da luta contra o colonialismo de povoamento e o apartheid. O sionismo é o braço avançado do imperialismo global no coração do Oriente Médio; derrubá-lo é uma vitória para todos os povos que buscam soberania. Por isso, desde a perspectiva do Imame Khomeini, “O Dia de Al-Quds é o dia do confronto dos oprimidos contra os opressores”. Por isso, afirmamos que, para a esquerda mundial, o Dia de Al-Quds não deve ser lido como uma efeméride religiosa distante, mas como o maior exemplo contemporâneo de resistência anti-imperialista vitoriosa. Enquanto muitas vertentes progressistas ocidentais se perderam em debates institucionais estéreis, a experiência revolucionária xiita materializou o que parecia impossível: o desafio direto e eficaz à hegemonia do eixo Washington-Tel Aviv.

A primeira grande lição que a esquerda deve colher da experiência xiita é a reconfiguração da “fé”. Aqui, a espiritualidade não é o “ópio”, mas o combustível para a emancipação dos oprimidos (Mustad’afin). O revolucionário xiita ensina que a ideologia só é plena quando acompanhada de uma disposição inabalável ao sacrifício e de uma disciplina que não se curva ao capital. O Dia de Al-Quds celebra essa mística: a crença de que a justiça histórica é uma inevitabilidade que deve ser construída pelas mãos dos povos.

Atualmente, vivemos o momento de maior fragilidade do projeto sionista. A resistência não apenas sobreviveu, mas se tornou o principal arquiteto da nova ordem regional. A queda do sionismo não é mais uma utopia, mas um processo em curso, materializado por cada drone, cada míssil de precisão e, acima de tudo, pela resiliência inquebrável do povo palestino apoiado por seus irmãos de armas. A vigência desta data reside na certeza de que a justiça histórica é inevitável. Al-Quds voltará a ser o símbolo da coexistência e da liberdade assim que o câncer do colonialismo for extirpado pela força da resistência popular e revolucionária.

O Eixo da Resistência provou que a solidariedade internacionalista pode e deve ser técnica. O apoio de potências regionais às frentes de libertação na Palestina, no Iêmen e no Líbano transformou pedras em mísseis de precisão e drones soberanos. Para a esquerda, isso é um lembrete vital de que a retórica anticolonial precisa de autonomia material. A queda do sionismo, que vemos se desenrolar diante de nossos olhos, não é fruto de resoluções da ONU, mas da capacidade técnica e militar de um povo que se recusou a morrer em silêncio.

Aprender com Al-Quds é entender que o sionismo é a vanguarda do racismo e da exploração global. Ao apoiar o Dia de Al-Quds, a esquerda abraça a luta contra o apartheid e o colonialismo de povoamento. A derrota do regime sionista — catalisada pela estratégia de cercamento e resistência liderada pela vanguarda xiita — representa a queda da primeira peça de dominó de um sistema imperialista que sufoca também a América Latina e a África.

A conexão entre o martírio xiita e a entrega guerrilheira latino-americana reside na mística do sacrifício por um bem maior. Enquanto o revolucionário de esquerda se inspira na entrega de figuras como Che Guevara — que vê a morte como um passo para a vitória da causa —, o combatente xiita encontra no sacrifício de Hussein em Karbala o arquétipo da luta contra a tirania.

Ambos transformam a perda individual em potência coletiva. Para o Eixo da Resistência, o martírio não é derrota, mas a semente que irriga a terra para a queda do imperialismo e do sionismo. É a prova máxima de que a dignidade humana é inegociável.

Al-Quds é o coração do mundo. É o ponto onde a luta de classes, a soberania nacional e a dignidade humana se encontram. Ignorar essa experiência é ignorar a força mais vibrante de resistência ao império hoje. É hora de a esquerda global reconhecer que o caminho para a libertação de todos os povos passa, necessariamente, pela vitória definitiva em Jerusalém.

Todos os dias são Ashura e todas as terras Karbala, assim como todos os caminhos conduzem a Quds.

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Março/2026


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