Precisamos valorar a paciência

No fim, trata-se de luta de classes, um fenômeno lento e complexo, mas para compreendê-lo precisamos deixar de lado análises superficiais

Recorte de Instagram onde Benjamin Netanyahu aparece numa cafeteria. Alguns atribuem o vídeo a uma criação de IA.

Por Carmen Parejo Rendón.

Netanyahu é consequência de um regime colonial em estado de degeneração. Ele não é a causa de nada; é, talvez, uma de suas consequências finais.

Trump, por sua vez, é um fenômeno semelhante, mas em um país real (os EUA). Um país cujo regime se sustentou nas últimas décadas sob a liderança do centro imperialista e que, em meio à crise desse sistema de dominação, também atravessa uma profunda crise que o leva à sua própria degeneração.

Tanto Trump quanto Netanyahu são consequências de um sistema de dominação decadente. Talvez até mesmo a “última chance” de manter esse sistema pela força. É por isso que contam com o apoio hipócrita de todos os outros (os europeus, por exemplo).

No fim, trata-se de luta de classes, um fenômeno lento e complexo, mas para compreendê-lo precisamos deixar de lado análises superficiais. Eles estão se empenhando ao máximo, e as respostas serão variadas (uma análise concreta da realidade concreta), mas os processos históricos não podem ser compreendidos em um instantâneo; precisamos observar e agir estrategicamente. E, acima de tudo, nestes tempos de histeria e imediatismo, devemos lembrar que, para sermos bons observadores, também precisamos ter e valorizar a paciência.

Carmen Parejo Rendón é escritora, analista internacioinal e filóloga. Reside em Sevilha, Reino da Espanha.

 


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