Por Alaa Shamali.
A poucas semanas do início da Copa do Mundo de 2026, crescem as preocupações com a segurança e a logística do torneio, que será realizado pela primeira vez com a participação de 48 seleções em três países — Estados Unidos, Canadá e México —, no que é descrito como a maior e mais complexa Copa do Mundo da história.
À medida que o torneio se expande e o número de espectadores e os planos de viagem aumentam, as preocupações não se limitam mais apenas a questões organizacionais, mas se estendem a ameaças à segurança e à possibilidade de distúrbios que poderiam afetar a circulação dos espectadores e o bom andamento de todo o evento global.
Um teste de segurança sem precedentes
O jornal The Guardian, no entanto, foi além, sugerindo que a Copa do Mundo de 2026 poderia se transformar em um “teste de segurança global”, dadas as atuais tensões políticas e internacionais, particularmente o conflito entre os EUA e o Irã.
A reportagem destacou preocupações com ataques de lobos solitários e alvos chamados de “alvos fáceis”, como hotéis, centros de transporte e áreas onde os torcedores se reúnem, bem como o potencial para ataques cibernéticos e o uso de drones.
A reportagem também observou que o torneio ocorrerá em um momento de crescente polarização política e protestos ligados a questões como migração, guerra e direitos humanos, o que poderia levar vários grupos a explorar o maior evento esportivo do mundo para transmitir mensagens políticas ou organizar protestos em grande escala.
É claro que 104 partidas distribuídas por três países e 16 cidades exercerão enorme pressão sobre os serviços de segurança, as redes de transporte e a infraestrutura, no que pode ser o desafio mais complexo da história do torneio.
Um representante da Human Rights Watch afirmou:
Esta deveria ter sido a primeira Copa do Mundo da história a contar com um quadro de direitos humanos: proteções fundamentais para trabalhadores, torcedores, jogadores e comunidades.
Em vez disso, a repressão brutal à imigração por parte do governo dos EUA, as políticas discriminatórias e as ameaças à liberdade de imprensa fazem com que o torneio possa ser marcado pela exclusão e pelo medo. Acho que estamos aqui para dizer que o problema do “sportswashing” continua vivo e forte, e que esta Copa do Mundo será uma mina de ouro para o “sportswashing”.
Um evento esportivo ou um desafio de segurança global?
Embora a FIFA esteja promovendo o torneio de 2026 como uma celebração histórica do futebol, um número crescente de reportagens ocidentais reflete uma preocupação genuína com a magnitude dos desafios que podem acompanhar o torneio, seja em termos de segurança, transporte ou gestão de multidões.
Com estádios espalhados por todo um continente e milhões de torcedores previstos a viajar entre as cidades, a próxima Copa do Mundo enfrenta um desafio que vai além do futebol, representando um desafio organizacional e de segurança sem precedentes na história do torneio.
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