Colômbia: Plano para assassinar o candidato oficial Iván Cepeda

Por Camilo Rengifo Marín.

O presidente Gustavo Petro assegurou que as agências de inteligência dos Estados Unidos têm informações reais e concretas sobre um possível ataque contra o presidenciável Iván Cepeda, declaração que levantou preocupações sobre a segurança eleitoral na Colômbia e reavivou o debate sobre garantias democráticas em plena campanha.

Cepeda lidera a intenção de voto de todas as urnas para as eleições de 31 de maio, seguido pelo advogado de extrema direita Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, e pela senadora Paloma Valencia, do partido Centro Democrático Uribista.

O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, negou que a CIA tivesse informações sobre um possível atentado contra o candidato do Pacto, Iván Cepeda. No entanto, na manhã deste domingo, após uma reunião do Conselho de Segurança com o presidente Gustavo Petro, o ministro confirmou que o governo realmente enviou um alerta aos Estados Unidos.

Nos últimos dias, um comunicado sobre um possível ataque disparou alarmes na Colômbia. A acusação relacionou a CIA com informações sensíveis, o que gerou preocupação tanto no âmbito político quanto na opinião pública.

“Eles (a CIA) nos informaram que quando tivessem informações sobre isso compartilhariam conosco. Mas, neste momento, eles não têm”, disse o ministro Sánchez. A organização dos EUA assegurou que, se tivesse dados relevantes, seria imediatamente compartilhado com a Colômbia. No entanto, até o momento, não há evidências concretas.

O influente senador republicano – de origem colombiana – Bernie Moreno negou as alegações de Petro sobre um suposto plano de ataque contra o senador e candidato à presidência Iván Cepeda, e assegurou que, após verificar junto às autoridades competentes em Washington, não há tal relatório nos canais oficiais de inteligência dos Estados Unidos.

A declaração do chefe de Estado ocorre em um contexto de grande tensão política e após um apelo dos Estados Unidos para que se protejam os candidatos à presidência. A advertência sobre possíveis consequências para os responsáveis por qualquer atentado reforça a dimensão internacional da segurança eleitoral colombiana e pressiona as autoridades nacionais a agirem de forma preventiva diante de qualquer risco.

Petro também apresentou uma hipótese política e relembrou o caso do assassinato de Charlie Kirk, que ele utilizou para apontar que certos ataques teriam uma origem comum. Em suas declarações, ele associou esses riscos a setores que, segundo ele, “usam o Estado para matar” e buscam exercer influência. Kirk, fundador da Turning Point USA, foi assassinado em 10 de setembro de 2025 durante um evento na Universidade do Vale de Utah. Kirk, de 31 anos, era conhecido por seu ativismo conservador e por seu papel como figura proeminente no movimento juvenil republicano nos EUA.

Apesar disso, nesta manhã, após uma reunião do conselho de segurança sobre a qual Petro disse que “foi exposto completamente o plano contra Iván Cepeda e a maneira de neutralizá-lo”, o ministro matizou sua versão. Ele disse, entre outras coisas, que um órgão externo ao Ministério da Defesa enviou “informações disponíveis para sua avaliação e apoio”.

O primeiro alerta havia sido dado por Petro no X nesta sexta-feira, logo após o governo dos EUA ter manifestado sua preocupação com a segurança dos candidatos na Colômbia. “A CIA já possui os dados reais e concretos de um possível atentado contra o candidato Iván Cepeda. Na Colômbia, há ameaças por toda parte, mas as informações sobre planos reais devem ser neutralizadas antecipadamente”, disse ele.

“Na Colômbia, há ameaças por toda parte, mas as informações sobre planos concretos devem ser neutralizadas antecipadamente. Agradeço ao presidente Donald Trump por seu apoio a eleições livres. Vale lembrar que a origem do assassinato de Charlie Kirk e a ameaça recebida pelo próprio Donald Trump vêm do mesmo lado: uma extrema-direita que usa o Estado para matar e angariar votos”, acrescentou Petro.

Após as declarações do presidente, Iván Cepeda confirmou que solicitará às autoridades informações detalhadas sobre o suposto plano contra ele. De Tunja, o candidato afirmou ter recebido diversas ameaças nos últimos meses, embora não as tivesse tornado públicas “por razões de prudência e cautela, para não gerar alarme na opinião pública”. Além disso, ele afirmou que, sob nenhuma circunstância, abandonará a campanha eleitoral, reafirmando sua decisão de continuar na disputa apesar da incerteza gerada pelo choque de declarações entre Bogotá e Washington.

Diante desse novo cenário, Cepeda foi enfático ao afirmar que a situação reveste a “maior gravidade”. Chegou a hora de sermos muito claros: sei que há forças que estão preparando ações para atentar contra minha vida. Minha decisão é totalmente firme e decidi enfrentar todos os riscos e circunstâncias que implicam a responsabilidade assumida perante o povo colombiano neste processo eleitoral. Portanto, sem medo, seguimos em frente com nossa campanha”, afirmou o candidato do governo.

O ataque contra Uribe Turbay 

No início desta campanha eleitoral, foi assassinado o senador e pré-candidato presidencial de direita Miguel Uribe Turbay, do Centro Democrático, que faleceu em agosto do ano passado, dois meses após ter sido gravemente ferido com dois tiros na cabeça durante um comício político em Bogotá.

Da mesma forma, a senadora Paloma Valencia, candidata presidencial da oposição de direita, recebeu no último fim de semana uma ameaça de morte por meio da divulgação nas redes sociais da imagem de uma coroa fúnebre que simula sua morte, o que desencadeou uma onda de repulsa na Colômbia.

Camilo Rengifo Marín é economista colombiano e professor universitário, analista associado ao Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE, X-Business), é um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de pesquisas www.estrategia.la.

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