
Por Altamiro Borges.
Na quarta-feira (30), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, por unanimidade, manter inalterada a taxa básica de juros em 15% ao ano e interrompeu o ciclo de alta da Selic no maior patamar em 19 anos. A medida foi encarada com alívio por setores econômicos, mas mesmo assim representa um desastre para a produção, comércio, serviços, empregos e renda. O Copom justificou a “cautela” – ou sacanagem – culpando o ambiente externo “mais adverso e incerto” e citou explicitamente o tarifaço imposto pelos EUA.
No comunicado, o colegiado do BC ainda reafirmou a estratégia de manter a Selic nas alturas por um longo tempo para assegurar a criminosa meta de inflação e o déficit zero. Na maior caradura, esse antro dos abutres financeiros afirmou que é necessária uma política de juros em nível “significativamente contracionista” por um período “bastante prolongado” para conter o crescimento da economia. Ou seja: para sabotar a geração de emprego e renda.
Os estragos causados pelo arrocho monetário
Os estragos causados por esse arrocho monetário são visíveis em vários setores da economia, como atesta reportagem postada no site do PT nesta sexta-feira (1). “Um exemplo é o crédito habitacional. Desde que o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, interrompeu uma sequência de quedas na Selic – que estava em 10,50% entre agosto e setembro –, o setor amarga perdas dolorosas. A mais expressiva é a queda de 11% no financiamento de unidades habitacionais no primeiro semestre de 2025, em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), foram financiadas 496,1 mil unidades neste ano, ante 559 mil do primeiro semestre de 2024”.
Como consequência, outro setor duramente afetado é a construção civil. “Os financiamentos para a construção de imóveis desabaram nada menos do que 54% no semestre. Apenas a aquisição de imóveis usados sustentou um crescimento de 7%. Como a Selic não deve cair tão cedo, de acordo com os comunicados do Copom, a entidade prevê uma queda de 20% nas concessões via SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) até o fim deste ano. Não à toa, empresários ligados à construção têm manifestado crescente preocupação com a manutenção da taxa de juros na estratosfera”.
A gritaria contra o Banco Central
A gritaria contra a manutenção da Selic vem de quase todos os setores da economia – menos dos rentistas, que ganham fortunas com a especulação financeira. “O Banco Central diz que tem que manter a taxa de juros alta para controlar a inflação. Mas a Selic não é o único instrumento de controle de preços e nem funciona para os tipos de inflação que o Brasil enfrenta. O que a Selic elevada faz é manter o Brasil na liderança do ranking com os maiores juros do mundo, penalizando a população”, afirma Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta nacional da CUT.
“A manutenção da taxa Selic em 15% nessa conjuntura irá prejudicar os investimentos, o consumo das famílias; aumentará o custo do crédito e afetará diretamente o nível de atividade econômica do país”, alerta Felipe Queiroz, economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

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