As raízes indígenas do feminismo moderno. Por Jorge Majfud.

O autor contrapõe o patriarcado europeu às experiências igualitárias de povos indígenas, citando relatos históricos e feministas como Matilda Gage para defender que as Américas ofereceram exemplos concretos que inspiraram a luta pelos direitos das mulheres.

Por Jorge Majfud.

Não vamos argumentar que o feminismo é uma invenção nativa americana, assim como também não argumentamos que a democracia liberal o seja, já que, em ambos os casos, elas procedem de diferentes origens e tradições, algumas das quais são tão distintas entre si quanto a democracia ateniense, a democracia escravista dos Estados Unidos e as democracias comunistas dos povos nativos.

O que vamos mostrar, sim, é que, assim como a democracia moderna, o feminismo moderno foi impulsionado pela descoberta dos exemplos concretos e há muito estabelecidos nas Américas de uma relação de gênero radicalmente diferente daquela existente na Europa e na Ásia Ocidental.

Em Indigenous Cosmology and Spanish Conquest (2016) (Cosmologia indígena e conquista espanhola), detivemo-nos no significado da mitologia indo-americana e na substituição do cosmos feminino (deusas pacíficas da terra) pelo cosmos masculino (deuses guerreiros do céu).[i], [1]

Não retomaremos os detalhes dessa análise, mas é preciso recordar, ainda que brevemente, que o chamado “machismo mexicano” ou “machismo latino-americano” — acusação promovida pelos europeus ou pelas classes crioulas brancas latino-americanas e pelo sentimento de superioridade do imperialismo anglo-saxão — foi uma importação da Europa por meio da brutalidade da conquista e da colonização de povos que, de longe, eram menos machistas do que os europeus; povos nos quais o patriarcado era muito mais fraco e, em alguns casos, inexistente. Ou, ainda, onde existia um matriarcado, em geral mais pacífico e democrático.

O paradoxo reside no fato de que essa crítica feminista moderna procede de uma realidade, de uma prática, de uma ordem sociocultural (e não de uma teoria) nativa americana. Em outras palavras, a conquista europeia das Américas impôs um patriarcado e, posteriormente, passou a criticá-lo a partir da perspectiva do feminismo que os povos nativos americanos lhe legaram gratuitamente, sem jamais receber qualquer reconhecimento por isso.

As rainhas europeias não contradisseram a rígida ordem patriarcal nem sua misoginia, como ocorreu igualmente com escritoras como Santa Teresa. Nem as Isabel nem as Elizabeth representaram as mulheres, mas sim a ordem de classe nobiliárquica — uma ordem masculina que impunha a moral da honra do homem, e não da mulher, por meio de instituições como a virgindade para elas e a promiscuidade para eles. Instituições e valores amplamente desconhecidos entre os povos nativos.

Também nas civilizações mesoamericanas mais verticalizadas houve imperatrizes ou mulheres governantes. Um caso foi o de Lady K’abel (Serpente Sagrada e chefe militar, com um posto superior ao de seu marido), governante maia da segunda metade do século VII de El Perú-Waka, na Guatemala.[ii] Mesmo em sociedades mais militarizadas e patriarcais, como a asteca e a inca — a condenação inca à homossexualidade é outro sinal do domínio patriarcal —, o papel da mulher continuava tendo maior importância pública do que na Europa.[2]

Nem a obrigação da virgindade nem a condenação dos homossexuais eram valores entre os povos democráticos da América do Norte. Na vasta literatura de crônicas deixadas pelos jesuítas na América do Norte, abundam, no século XVII, referências escandalizadas à liberdade exercida pelas mulheres nas nações nativas, donas de seus próprios corpos e de suas próprias vidas.[iii] As mulheres detinham poder tanto na esfera pública quanto na privada. Em 1633, o padre Paul Le Jeune informava:

“Aqui as mulheres têm muito poder. Um homem pode prometer algo e, se não cumpre sua promessa, considera-se suficientemente desculpado ao dizer que sua esposa não quis fazê-lo. Eu lhe disse, então, que ele era o senhor da casa e que, na França, as mulheres não mandam em seus maridos.”[iv]

Para os séculos especialmente misóginos da conquista europeia, esse comportamento das “selvagens” constituía mais uma razão para convertê-las à verdadeira religião.

Na mesma época, Santa Teresa de Ávila escrevia que as mulheres (europeias) eram especialmente fracas e perversas e que, por isso, era preciso extirpar qualquer indício de liberdade nelas:

“Chamam de liberdade aquilo que já é melancolia; e é assim que tenho pensado que, nestas casas e em todas as casas de religião, esse nome não deveria sequer ser pronunciado (porque parece trazer consigo a liberdade), mas sim chamar-se doença grave e ser tratado como tal. [Que as mulheres] não entendam que hão de conseguir o que querem, mas que saibam que devem obedecer, porque o mal está justamente em pensar que possuem essa liberdade […] e devem compreender que o maior remédio que têm é mantê-las muito ocupadas em seus ofícios, para que não tenham tempo de ficar imaginando, pois aí reside todo o seu mal. […]”

“Tenha-se em conta que a fraqueza é natural e muito grande, especialmente nas mulheres […] é necessário que, diante de qualquer pequena coisa que nos ocorra, não pensemos logo que se trata de uma visão. […] Não creio que exista coisa no mundo que tanto prejudique um prelado quanto não ser temido e permitir que os súditos pensem poder tratá-lo como a um igual, especialmente as mulheres, porque, se uma vez compreenderem que há no prelado tamanha brandura, será difícil governá-las.”[v]

Não por acaso, Santa Teresa de Ávila foi canonizada como santa e declarada doutora da Igreja, e não Sor Juana Inés de la Cruz; muito pelo contrário, esta permaneceu do outro lado do Atlântico. Sor Juana, a rebelde criada por mulheres indígenas no México.

Graeber e Wengrow observaram que, enquanto os jesuítas falavam da “assustadora liberdade dos selvagens”, que impedia sua submissão ao “jugo do Senhor”, apenas “a tradução das palavras ‘Senhor’, ‘mandamentos’ e ‘obediência’ encontrava sérios problemas nas línguas nativas”.[vi]

Embora muitas nações indígenas da América pré-colombiana fossem matrilineares, nem todas eram democráticas e igualitárias como a Confederação Iroquesa, entre outras. A civilização que a precedeu às margens do rio Mississippi, Cahokia, construiu grandes cidades e pirâmides hoje quase esquecidas na região que atualmente corresponde à fronteira entre Missouri e Indiana. Desapareceu no século XII, aproximadamente na mesma época em que os iroqueses fundaram sua Liga da Paz.

As ideias feministas, ainda que sob outras denominações, podem ser rastreadas até as origens da história. Sem sequer nos referirmos à pré-história, quando os sistemas matriarcais eram ainda mais comuns, embora muito mais difíceis de analisar devido à escassez de fontes. O feminismo, tal como o conhecemos hoje, como corrente de pensamento crítico, surge — ou ressurge — com o Iluminismo. É razoável supor que as novas ideias humanistas de liberdade e igualdade, bem como os direitos do homem, inevitavelmente conduziriam a uma reflexão e a uma reivindicação dos direitos da mulher.

Ora, da mesma forma que argumentamos que o Iluminismo europeu foi influenciado pelo humanismo e pelo conhecimento das sociedades indígenas das Américas, também devemos considerar a influência dessas sociedades no que diz respeito às relações de gênero.

Em 2009, publicamos alguns capítulos sobre a possível influência da então redescoberta heroína do feminismo, Sor Juana Inés de la Cruz:

“Por que se estudaram até a exaustão as leituras de Sor Juana Inés de la Cruz e as influências que recebeu do Século de Ouro espanhol, mas não se estudaram as relações da menina Juana Inés com suas criadas indígenas? Como explicar o feminismo da freira rebelde recorrendo à misoginia dos escritores espanhóis dos séculos XVI e XVII? Inclusive à própria Santa Teresa, defensora da submissão feminina ao poder masculino, citada pela própria Sor Juana mais por conveniência política do que por convicção ideológica. Por que descartar a possibilidade de que a chamada cultura machista do México não fosse realmente assim ou fosse muito menos machista e misógina do que a Europa da Idade Média e do Renascimento?”[vii]

É desnecessário lembrar que o Século de Ouro espanhol não foi apenas o século do ouro proveniente das Américas, mas também o século da misoginia espanhola e europeia. Basta considerar os escritos de intelectuais reconhecidos da época, como Frei Luís de León (A perfeita esposa, 1583, qualificada por um de seus prefaciadores como “quase feminista”), Juan de Zabaleta (Erros celebrados, 1653; Dias de festa pela manhã, 1654), Santa Teresa (Fundações, 1573), Juan Huarte…[viii]

Um dos mais influentes manifestos de caráter feminista escritos na Europa no final do século XVIII foi A Vindication of the Rights of Woman (Reivindicação dos direitos da mulher, 1792), de Mary Wollstonecraft. Nessa época, já havia transcorrido mais de um século de crônicas, relatos históricos e peças teatrais sobre o mundo indígena do outro lado do Atlântico. Como quase todos os seus contemporâneos homens, Wollstonecraft não cita nem menciona essa experiência reveladora e desafiadora dos povos considerados “selvagens” do outro lado do oceano, experiência que circulava intensamente nas tertúlias intelectuais, sobretudo no início daquele mesmo século.

Talvez porque não tivesse consciência dessa influência ou talvez porque a retórica filosófica da época não exigisse o reconhecimento das fontes históricas de suas ideias. Bastavam-lhe os princípios mais elementares, que já eram defensáveis sem qualquer respaldo arqueológico: se a liberdade e a igualdade dependem da razão dos indivíduos, e as mulheres são sujeitos racionais, então são cidadãs com direitos iguais. A lógica de Wollstonecraft não depende da origem de suas ideias, mas, para este estudo, essa origem é relevante.

As coincidências são numerosas demais para serem explicadas de outra forma que não pelo contexto histórico do transformador “descobrimento do Novo Mundo”. Como se isso não bastasse, algumas das feministas mais reconhecidas do final do século XIX manifestaram explicitamente sua admiração pelo sistema político e cultural dos povos nativos. Outras, por sua vez, acabaram absorvidas pelo sistema europeu.

Nove anos após o Primeiro Congresso Feminino Antiescravista dos Estados Unidos, em 1848, uma assembleia composta por 68 mulheres e 30 homens, presidida por Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott, aprovou uma declaração em defesa do direito das mulheres ao voto e à participação política, posteriormente conhecida como Declaração de Sentimentos e Resoluções de Seneca Falls.

Naquele verão, na cidade de Seneca Falls, em Nova York, Elizabeth Cady Stanton foi enfática em sua crítica à sociedade patriarcal:

“Uma mulher não é ninguém. Uma esposa é tudo. Uma jovem bonita vale mais do que dez mil homens e uma mãe, depois de Deus, é onipotente. Portanto, as senhoras da Filadélfia, sob a influência das mais sérias reflexões, decidiram defender seus direitos como esposas, belezas, virgens e mães, e não como mulheres.”[ix]

Outro testemunho profundamente reflexivo e significativo foi o de Alice Fletcher. Nascida em Cuba em 1838 e estudiosa das culturas indígenas das Américas, Fletcher viveu durante algum tempo entre os sioux, na região dos Grandes Lagos. Tornou-se amiga de Susette La Flesche, mulher omaha conhecida como Olhos Brilhantes. No final de março de 1888, em Washington, D.C., Fletcher dirigiu-se ao Conselho Internacional de Mulheres, o primeiro encontro internacional dedicado ao sufrágio feminino. Em seu discurso, recordou uma visita que fizera à nação Omaha, em Nebraska. Na ocasião, uma mulher lhe presenteou com um cavalo.

— O que dirá seu marido quando souber que você acabou de me dar um cavalo? — perguntou Fletcher.

A mulher caiu na gargalhada e imediatamente contou a história às demais pessoas reunidas em sua casa, que reagiram da mesma maneira.

“Minha explicação sobre o controle do homem branco sobre a propriedade de sua esposa foi recebida com zombaria e desprezo”, relatou Fletcher.

Naquela época, diferentemente do que ocorria nas culturas indígenas, as mulheres na Europa e nos Estados Unidos não apenas enfrentavam restrições para acessar o mercado de trabalho, como também, ao se casarem, viam seus bens passarem automaticamente para a propriedade dos maridos. Sua submissão era justificada por uma suposta vontade divina ou por uma maldição bíblica decorrente de algo que elas sequer haviam feito, como comer um fruto proibido na origem dos tempos, ou algo semelhante.

As culturas indígenas não serviram apenas de inspiração para os ativistas que lutavam pela democratização das sociedades modernas e pelos direitos das mulheres; elas também ofereciam exemplos concretos e reais, e não meramente teóricos. Ao mesmo tempo, porém, as nações indígenas continuavam perdendo direitos — não apenas sobre suas terras, mas também sobre seus costumes — diante da expansão violenta do homem branco, que legislou e impôs às chamadas nações selvagens uma política de “christianize and civilize” (“cristianizar e civilizar”).

Fletcher prosseguiu:

“Sempre que eu explicava nossas leis às mulheres indígenas, recebia invariavelmente a mesma resposta: ‘Como mulher indígena, eu era livre. Era dona da minha casa, do meu corpo, do trabalho de minhas mãos, e meus filhos jamais me abandonavam. Eu vivia melhor como indígena do que sob a lei do homem branco’.”[x]

Em um artigo publicado no New York Evening Post, em 1875, Matilda Gage descreveu as regras sociais e matrimoniais das sociedades indígenas, que, de longe, se aproximavam muito mais das relações modernas atuais do que das sociedades ocidentais da época:

“A divisão do poder entre os sexos nessa república indígena é praticamente igualitária… Se, por qualquer motivo, marido e mulher iroqueses se separavam, a mulher levava consigo todos os bens que havia trazido para o wigwam. Os filhos também permaneciam com a mãe, cujo direito sobre eles era reconhecido como incontestável.”[xi]

Algumas décadas depois, as feministas desafiaram insultos e calúnias ao adotar a bicicleta como símbolo de independência. A sufragista Elizabeth Cady Stanton escreveu:

“A bicicleta inspirará nas mulheres mais coragem, respeito por si mesmas e autoconfiança…”

Sua amiga e também líder da luta pelo direito ao voto feminino, Susan Anthony, afirmou:

“Levanto-me e me alegro cada vez que vejo uma mulher passar sobre duas rodas… é a imagem da feminilidade livre e sem restrições.”[xii]

Como observamos anteriormente, não faltaram referências diretas ao exemplo dos povos nativos como modelo político, nem manifestações de frustração diante do sequestro da causa feminista. Foi o caso de Matilda Joslyn Gage, uma das mais destacadas ativistas pelos direitos das mulheres e pelo sufrágio universal. Gage foi presa por apoiar o movimento abolicionista e por auxiliar escravizados fugitivos, algo ilegal segundo a Lei dos Escravos Fugitivos de 1850. Após um período de intensa militância feminista, renunciou à liderança da National Woman Suffrage Association em razão da guinada conservadora da organização.

Em seu volumoso e notável livro Woman, Church and State (Mulher, Igreja e Estado), publicado em 1893, Gage descreveu o desaparecimento do matriarcado em consequência da expansão do cristianismo, o que lhe rendeu inimigas até mesmo dentro do movimento sufragista.[xiii] A obra foi proibida em 1913 sob a acusação de blasfêmia. Ou seja, além de sua exclusão da vida política por ser mulher, Gage foi punida por outras duas violações aos princípios democráticos que ela atribuía aos povos nativos: a defesa estatal da escravidão e a censura de um indivíduo por suas ideias.

Matilda Gage escreveu detalhadamente, com um conhecimento enciclopédico, sobre a Confederação Iroquesa, entre outros sistemas matriarcais. Segundo ela, “nunca a justiça foi mais perfeita; nunca a civilização foi mais elevada”. Em seu capítulo sobre o matriarcado, escreveu:

“Nos Arquivos do Estado de Albany, em Nova York, conservam-se tratados assinados pelos ‘Sachems e pelas Mulheres Principais das Seis Nações’. As mulheres também possuíam poder de veto em questões de guerra. Sir William Johnson menciona um caso em que mulheres mohawks proibiram jovens guerreiros de seguir o caminho da guerra. As relações familiares entre os iroqueses demonstravam a superioridade do poder das mulheres. […]

Se, por qualquer motivo, marido e mulher iroqueses se separavam, a mulher levava consigo todos os bens que havia trazido para o wigwam; os filhos também permaneciam com a mãe, cujo direito sobre eles era reconhecido como supremo. Até hoje a descendência é considerada pela linhagem materna de forma tão completa que crianças de olhos azuis e cabelos loiros, filhas de pais brancos, são reconhecidas como membros da tribo.”[xiv]

Recordemos que, nos Estados Unidos, os filhos de senhores escravistas brancos com mulheres negras ou mestiças escravizadas eram considerados escravizados, e não membros da família. Ainda hoje, como no caso do ex-presidente Barack Obama, essas pessoas são classificadas como negras, embora possam ter muito mais ascendência genética europeia do que africana.

O legado político da escravidão estadunidense permanece vivo. A violência decorrente da invenção da propriedade privada também foi precedida por um patriarcado radicalizado. A professora Sally Roesch Wagner, diretora da Fundação Matilda Joslyn Gage e do Centro para o Diálogo pela Justiça Social, em Nova York, resumiu essa realidade da seguinte forma:

“Segundo a maioria dos relatos, os estupros e outras formas de violência contra as mulheres eram raros nas sociedades indígenas antes do contato europeu.

Quando ocorriam, eram severamente punidos. Mulheres brancas que passaram algum tempo nas reservas indígenas norte-americanas comentavam regularmente o grau de segurança que sentiam e a liberdade para se deslocarem conforme sua própria vontade. Um carteiro do final do século XIX disse a um jornalista do New York Herald, durante uma visita à Nação Seneca: ‘Uma mulher branca pode caminhar sozinha entre eles ou pelas estradas mais desertas com absoluta segurança. Prefiro que minha esposa ou minha filha caminhem sozinhas à noite nesta reserva do que na cidade onde moro.’ Uma professora afirmou o mesmo: ‘É o único lugar onde lecionei e onde jamais fui insultada… Ouvi o mesmo relato de todas as professoras que conheço na reserva’.”[xv][xvi]

Acrescentou ainda:

“Exatamente o mesmo que eu costumava ouvir de mulheres brancas que viviam em Moçambique, em 1997.”

Notas:

[1] Um desses exemplos de ruptura cósmica é o próprio mito do deus da guerra, Huitzilopochtli, nascido da deusa da fertilidade ou Mãe Terra, Coatlicue, que vestia uma saia de serpentes e engravidou de uma bola de plumas caída do céu, para desgosto de suas filhas, que quiseram matá-lo para ocultar a infidelidade de sua mãe com o deus Sol (céu). A deusa ou semideusa Coatlicue habitava o Monte das Serpentes e deu à luz um filho Colibri (ave, céu).

[2] Ver Luis Vitale, A metade invisível da história: o protagonismo social da mulher ibero-americana. Buenos Aires: Sudamericana-Planeta, 1987; e Manuel Burga, Nascimento de uma utopia: morte e ressurreição dos incas. Lima: Instituto de Apoyo Agrario, 1988.

[i] The Routledge History of Latin American Culture. Reino Unido: Taylor & Francis, 2017.

[ii] OWEN, James. “Tomb of Maya Queen Found. ‘Lady Snake Lord’ Ruled Centipede Kingdom.” National Geographic, 4 out. 2012.

[iii] The Jesuit Relations and Allied Documents: Travels and Explorations of the Jesuit Missionaries in New France, 1610–1791; the Original French, Latin, and Italian Texts, with English Translations and Notes. Estados Unidos: Burrows Bros. Company, 1898.

[iv] LE JEUNE, Paul. The Jesuit Relations and Allied Documents: Travels and Explorations of the Jesuit Missionaries in New France, 1610–1791; the Original French, Latin, and Italian Texts, with English Translations and Notes. Estados Unidos: Burrows Bros. Company, 1898, p. 181.

[v] JESUS, Santa Teresa de. Obras de Santa Teresa de Jesus. [1573]. Barcelona: Juan Olivares, 1847, p. 45–47, 239.

[vi] GRAEBER, David; WENGROW, David. The Dawn of Everything: A New History of Humanity. Estados Unidos: Farrar, Straus and Giroux, 2021, p. 44.

[vii] MAJFUD, Jorge. “O insuspeitado universo de Ameríndia (I)”. América Latina en Movimiento, 13 maio 2010. Disponível em: <www.alainet.org/es/active/38159>.

[viii] MAJFUD, Jorge. “The Imperfect Sex: Why Is Sor Juana Not a Saint? [O sexo imperfeito: por que Sor Juana não é santa?]”. Monthly Review Online, 25 fev. 2007. Disponível em: <mronline.org/2007/02/25/majfud250207-html/>.

[ix] ALIANO, Kelly. “Declaration of Rights and Sentiments”. Women & the American Story, 4 abr. 2023.

[x] “How Native American Women Inspired the Women’s Rights Movement”. U.S. National Park Service, 2020.

[xi] WOLFE, James; MOEHN, Heather. Understanding the Iroquois Constitution. Estados Unidos: Enslow Publishing, 2015, p. 81.

[xii] “Pedaling the Path to Freedom”. National Women’s History Museum, 27 jun. 2017.

[xiii] GAGE, Matilda Joslyn. Woman, Church and State: A Historical Account of the Status of Woman Through the Christian Ages: with Reminiscences of Matriarchate. Estados Unidos: C. H. Kerr, 1893, p. 11–28.

[xiv] GAGE, Matilda Joslyn. Woman, Church and State: A Historical Account of the Status of Woman Through the Christian Ages: with Reminiscences of Matriarchate. Estados Unidos: C. H. Kerr, 1893, p. 11–28.

[xv] “How Native American Women Inspired the Women’s Rights Movement”. U.S. National Park Service, 2020.

[xvi] ROESCH WAGNER, Sally. We Want Equal Rights: How Suffragists Were Influenced by Haudenosaunee Women. Estados Unidos: 7th Generation, 2020.

Jorge Majfud é romancista, ensaísta, tradutor e professor universitário uruguaio-estadunidense. Atualmente é professor da Jacksonville University. Capítulo do livro Tawíscara: o sequestro da democracia (2026).

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