A condenação de Álvaro Uribe e a inversão operacional do imperialismo. Por Jair de Souza.

Por Jair de Souza.

A juíza colombiana Sandra Heredia acaba de condenar em primeira instância o ex-presidente de extrema-direita Álvaro Uribe pelos crimes de fraude processual e suborno em atuação penal.

Álvaro Uribe é um visceral aliado das políticas estadunidenses em seu país e em todos os outros lugares. Há muito tempo, ele vem sendo considerado pela maioria dos estudiosos dos conflitos sociais colombianos como o mais expressivo defensor e impulsor das agrupações paramilitares que atuam em favor dos grupos oligárquicos da Colômbia, que são responsáveis pelos assassinatos de dezenas de milhares de lideranças e lutadores sociais que ousam confrontar seus desígnios. Além disso, sua implicação com as quadrilhas de narcotraficantes colombianos também é moeda corrente entre quase todos os analistas.

No entanto, apesar de toda esta bagagem, imediatamente após sua condenação pelas instituições jurídicas constitucionalmente habilitadas para tal, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, emitiu nota para condenar a decisão da Justiça Colombiana, caracterizando-a como “um ato de perseguição política”, visto que, para ele, “o único delito do ex-presidente tem sido lutar incansavelmente e defender sua pátria”.

Alguém conseguiu detectar alguma semelhança com o que o chefe de Marco Rubio dissera tão logo foi confirmado o indiciamento do patriarca do bolsonarismo em nosso país? Claro que a pergunta está sendo feito em tom de ironia. Seria impossível não se dar conta disto!

Mas, o que interessa de fato é o significado por trás da atitude nesses dois casos recentes. Sem que tenhamos de realizar grandes esforços de memória, vamos nos lembrar que até pouquinho tempo atrás a intervenção do imperialismo gringo nos países latino americanos estava priorizando o apoio a certas autoridades do Sistema Judiciário com o propósito de que estes eliminassem do jogo político às lideranças que lhes fossem desafetas.

Em referência ao que citamos no parágrafo anterior, temos ainda frescas as marcas da atuação da quadrilha Lava-Jato no Brasil, com vista a derrubar o governo de Dilma Roussef, colocar Lula na prisão e possibilitar a eleição de um dos mais abjetos dos lacaios a serviço de seus interesses em nossa nação. Porém, esta metodologia não se limitou a nosso país, vários outros de nossos vizinhos também foram vítimas de planos semelhantes. Além do Brasil, sofreram intervenções de “lawfare” gringófilo o Peru, a Argentina, o Paraguai, o Equador, etc.

Portanto, parece que estamos diante de uma inversão de sua lógica operacional. Agora, com o objetivo de preservar os políticos inteiramente subordinados a seu comando, os representantes do alto escalão governamental dos Estados Unidos decidiram entrar de sola para desacreditar os juízes e sistemas jurídicos que ousem aplicar o rigor da lei contra seus aliados locais.

Talvez, os casos recentes do Brasil e Colômbia estejam apontando para uma inversão de sentido na interferência do imperialismo na continuidade de seu “lawfare”. Como denominar esta nova variante? Seria “lawfare” reflexivo?

Jair de Souza é economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ.

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