O Movimento BDS comemora os novos dados que mostram que o Brasil não registrou exportações diretas de petróleo bruto para Israel em 2025. Exortamos que a pressão da sociedade civil sobre o governo brasileiro continue, para que este imponha um embargo energético imediato e integral contra o genocida Israel, e alertamos que o petróleo brasileiro ainda pode continuar chegando a Israel por meio de rotas que passam por outros países.
De acordo com a Oil Change International, até meados de 2024, o Brasil continuava sendo o quinto maior fornecedor de petróleo bruto para Israel, respondendo por 9% dessas importações. De acordo com dados publicados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil (ANP), as exportações de petróleo do Brasil para Israel aumentaram 51% entre 2023 e 2024.
Desde 2024, o BDS Brasil e seus aliados e aliadas, juntamente com organizações como Vozes Judaicas pela Libertação e o PIPD, bem como com os sindicatos dos trabalhadores e trabalhadoras do setor petrolífero — a Federação Unitária dos Petroleiros (FUP) e a Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) —, têm realizado campanhas para pôr fim às exportações de petróleo brasileiro para Israel.
Durante o mesmo período, o relatório “A economia do genocídio”, da Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese, identificou a Petrobras, a empresa estatal de petróleo do Brasil, como participante da cadeia de abastecimento de petróleo com destino a Israel.
As federações de trabalhadores e trabalhadoras do setor petrolífero solicitaram formalmente ao governo brasileiro a suspensão das exportações de petróleo para Israel, invocando as obrigações do país nos termos do direito internacional humanitário e do direito internacional dos direitos humanos.
Apesar de ser uma vitória importante, a ausência de exportações diretas não resolve as preocupações mais amplas sobre o destino final do petróleo bruto brasileiro.
Organizações como o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro, o Instituto Palestino para a Estratégia Climática e a Disrupt Power levantaram dúvidas sobre se o petróleo continuou chegando a Israel, alimentando o genocídio, o apartheid e a ocupação ilegal, possivelmente por meio da refinaria da Vitol na Sardenha, Itália. Suas investigações indicam que intermediários estrangeiros, como a comercializadora de matérias-primas Vitol, poderiam ter utilizado essa rota para ocultar o destino final do petróleo.
Se o petróleo bruto brasileiro chegar a Israel por meio de reexportações de países terceiros, isso não isentaria o Brasil de suas possíveis responsabilidades legais internacionais. O Movimento BDS insta à continuação da pressão da sociedade civil sobre o governo brasileiro para que:
Estabeleça uma proibição explícita das exportações de petróleo bruto e outros produtos energéticos para Israel; e
Garanta que a política comercial energética do Brasil cumpra suas obrigações nos termos da Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, do Tratado sobre o Comércio de Armas (ATT, na sigla em inglês) e das medidas provisórias, bem como da decisão sobre a ilegalidade da ocupação israelense proferida pela Corte Internacional de Justiça.
Andressa Oliveira Soares, coordenadora para a América Latina e o Caribe do Movimento BDS, declarou:
“Os dados divulgados hoje demonstram o poder da ação coletiva sustentada. Quando as trabalhadoras e os trabalhadores, as organizações da sociedade civil e as comunidades se mobilizam, os governos e as corporações não podem mais ignorar suas responsabilidades. O fim das exportações diretas de petróleo brasileiro para Israel é um passo importante e concreto, e um reconhecimento de que a pressão pública pode mudar as políticas.”
“Mas essa campanha ainda não acabou. Se o petróleo brasileiro está sendo canalizado por meio de outros países, as complexas cadeias de abastecimento não eliminam a responsabilidade. O Brasil deve garantir total transparência sobre o destino final de suas exportações e tomar as medidas necessárias para evitar que seus recursos contribuam para violações do direito internacional.”
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