Os perigos do cigarro eletrônico

É a certeza de uma nova guerra, com muitos combates pela frente

Imagem: SaludHable

Por Sebastião Costa.

No fim do século passado, 34% dos brasileiros se intoxicavam na ilusão da nicotina. A pesquisa VIGITEL do Ministério da Saúde de 2024, com 11,6 de fumantes, demonstra a efetiva competência dos Programas de Controle do Tabagismo(PCT)

Quando nós, agentes combatentes do maior produtor de mortes da história, acreditávamos que estávamos vencendo uma guerra, eis que, o chinês Hon Lik cometeu a ‘besteira’ de inventar um dispositivo alimentado por uma bateria, que transforma nicotina em vapor, produzindo no dependente o mesmo prazer do cigarro convencional.

É a certeza de uma nova guerra, com muitos combates pela frente.

Pausa, para lamentar que a competência efetiva dos PCT que conscientizou o adulto, não chegou devidamente na cabeça do jovem. E nessa avenida, pavimentada por 11 bilhões de investimentos da Philip Morris, anda transitando com total desenvoltura, o cigarro eletrônico. E muitos adultos sendo atraídos pela conversa fiada dos fabricantes. E na conversa deles, o CE é inofensivo e, percebam a malandragem, não produz dependência e ainda ajuda as pessoas a pararem de fumar.

A própria nicotina, com sua força vasoconstrictora, já infartou muita gente por aí afora. E não dá nem pra contar a quantidade de deficientes, vítimas de AVCs, promovidos com a participação competente dessa droga psicoativa, que troca figurinhas com a cocaína, no mesmo grupo das substâncias psicotrópicas.

Correndo por fora, as nitrosaminas, com o prestígio de estarem incorporadas ao rol das mais potentes substâncias cancerígenas da atualidade. Se na boca do fumante que aderiu ao CE pode surgir cancro e gengivites, alterações no sistema mucociliar vão favorecer a tosse e a secreção das bronquites.

Fica a esperança de que esse texto possa despertar nos jovens e adultos a consciência de que a inalação de uma droga viciante, aliada a muitas substâncias nocivas, é a certeza de que vamos seguir assistindo à reprise do mesmo filme, recheado de doenças evitáveis e mortes precoces.

Sebastião Costa é Presidente do Comitê de Tabagismo da AMB-PB e Membro da Comissão de Tabagismo da AMB.

https://youtu.be/T289vxcVTiM

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