Oficina de formação audiovisual na Terra Indígena Kondá, em Chapecó

Foto: DivulgaçãoPor Camila Almeida.

Fortalecer a autonomia das narrativas é um dos objetivos do Projeto “Olhares Indígenas – Oficina de Documentário”, que inicia na próxima segunda-feira, 13 de julho, na Escola Sape Ty Kó, localizada na Terra Indígena Kondá, em Chapecó (SC). A proposta cultural da proponente Margot Filmes é viabilizada pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura e oferecerá 40 horas de capacitação presencial, com teoria e prática, voltada inteiramente para a direção e a produção de cinema.

O curso é direcionado a adolescentes e jovens Kaingang com idades entre 12 e 25 anos. Ao longo de duas semanas, os participantes passarão por todas as etapas de criação de um filme. Desde referências e embasamentos teóricos, Mostra de Cinema Indígena, até os desdobramentos práticos das atividades, onde produzirão, coletivamente, um curta-metragem documental com temática definida pelo próprio grupo.

A equipe de formação é composta pelos documentaristas Cassemiro Vitorino e Ilka Goldschmidt, na produção, ao lado dos ministrantes das ações, os cineastas indígenas Vanessa Fe Há, da etnia Kaingang e Jucelino Senei Filho, da etnia Laklãnõ-Xokleng, ambos atuam como diretores, roteiristas e produtores, com amplo currículo no cinema documental brasileiro. O projeto conta ainda com o suporte do psicólogo indígena Tschucambang Ndili. Para a realização da oficina a equipe é composta ainda pelos produtores indígenas Celestial e Nicole Kri da Silva.

A realização dessa atividade acontece em um momento muito importante para a cultura em nossa País, com leis consolidadas, como Paulo Gustavo e Aldir Blanc, que tem ampliado o acesso dos povos originários aos recursos de fomento cultural, e por conta disso é cada vez mais fundamental estarmos nas comunidades indígenas trazendo essa instrumentalização técnica. Para além dessa capacitação o mais relevante do encontro é colocar os indígenas como protagonistas de suas histórias, aprendendo com cineastas indígenas, e criando perspectivas de realização, enfatiza a produtora Ilka Goldschmidt.

O projeto oportuniza o acesso a ferramentas tecnológicas que, segundo os organizadores, “permite que os povos originários possam transitar da condição de objeto de estudo para o sujeito da própria história”. A intenção é canalizar o uso cotidiano do smartphone, por exemplo, para a estética cinematográfica profissional, mostrando caminhos possíveis dentro do cinema.

Para o documentarista e produtor Cassemiro Vitorinos, “ao assumirem o registro de sua própria cultura, os realizadores Kaingang resguardam os saberes ancestrais, a língua e a mitologia sob a sua própria ótica, sem a necessidade de mediadores não indígenas. Essa construção de narrativa própria se contrapõe às representações estereotipadas, transformando o cinema em uma ferramenta de expressão política e valorização da identidade”.


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