“Gallo negro, te lo advierto. No se rinde un gallo rojo, más que cuando está ya muerto” (Chicho Sánchez Ferlosio).
Rosa de Fogo é o nome que, em 1909, na Semana Trágica, fez Barcelona ficar famosa no mundo inteiro.
Dez anos depois, em 1919, foi a força dos protestos populares que trouxeram conquistas para o primeiro país, aquela Espanha revolucionária, a adotar a redução da jornada de trabalho. A principal demanda do movimento operário internacional.
Depois de 44 dias de greve no transporte público, já naquela época, o fortíssimo movimento anarquista (que criou o sindicalismo brasileiro, em Santos, onde Lula viveu) reivindicava duas bandeiras atuais dos movimentos sociais brasileiros. O Passe Livre e a Redução da Jornada.
Barcelona entrou para a história do movimento sindical, quando, em março de 1919, o movimento sindical da Catalunha conquistou as 8 horas diárias de trabalho.
Apolônio de Carvalho foi a primeira pessoa a assinar a pioneira ficha de filiação do PT, partido do qual Lula foi o primeiro presidente. Foi, antes de Lula, o brasileiro mais homenageado em toda a Catalunha, pelo seu destacado papel de Brigadista Revolucionário, o movimento de estrangeiros que voluntariamente se somaram à resistência armada espanhola contra as tropas fascistas.
Lula será novamente homenageado em Barcelona, nesta semana, nos dias 17 e 18 de abril. Virá como convidado especial da Internacional Socialista, presidida pelo atual presidente da Espanha.
A capital da Catalunha foi uma das primeiras cidades europeias que Lula visitou, logo depois de fundar o PT e a CUT.
Lado a lado com Paulo Freire, Lula foi convidado especial do Congresso extraordinário da central sindical Comisiones Obreras, a maior de toda a Espanha. Esta primeira visita, de 13 a 15 de outubro, ocorreu dias antes da maior greve geral espanhola depois da ditadura franquista. A de 1988, com oito milhões de grevistas, um ano antes de Lula ser candidato a presidente.
Lula voltou a Barcelona em 13 de dezembro de 2012 para receber o Prêmio Internacional Catalunha, sucedendo o seu amigo, o bispo catalão Dom Pedro Casaldáliga (criador da CPT, Comissão Pastoral da Terra, e do CIMI, Conselho Indigenista Missionário), no Palácio do Governo catalão.
A Universitat de Barcelona, UB, cuja origem remonta ao ano 1398, concedeu a Lula o Doutorado Honoris Causa, coincidentemente em outro dia 13, em outubro de 2004. O mesmo diploma acadêmico (que Lula ainda não pôde recolher) concedido a Jean Piaget, Edgar Morin, Milton Santos, Paulo Freire, Josep Carreras, Joseph Stiglitz, Joan Manuel Serrat, Montserrat Caballé, Rafael Correa, entre 138 grandes nomes internacionais.
No próximo sábado, Lula estará junto com Pedro Sánchez, Claudia Sheinbaum, Gustavo Petro e diversas autoridades mundiais. A cidade dará sequência a uma série de eventos mundiais de clara oposição ao imperialismo trumpista, como o que aconteceu recentemente em Porto Alegre, cidade-sede do antifascismo ativo e da solidariedade internacional icônica do Fórum Social Mundial.
Junto com Lula estarão diversas ministras do seu governo, como Margareth Menezes e Esther Dweck, o presidente do PT Nacional, a secretária de Relações Internacionais do PT, o presidente do BNDES, a presidência da Fundação Perseu Abramo e a representação do Instituto Lula.
Existe imensa expectativa de todos os partidos espanhóis de esquerda que estão confirmando presença, com suas lideranças mais expressivas, no ato de filiação coletiva (de icônicas personalidades da Comunidade Brasileira em toda a Europa, como a fundadora do Movimento Negro Unificado, MNU brasileiro, a advogada Glaucenira Maximino).
O ato acontecerá na UB, nesta sexta-feira, 17 de abril, Dia Mundial de Lutas da Via Campesina – em memória do massacre de Eldorado dos Carajás. Dezenas de ativistas brasileiras estão inscritas no evento internacional Global Progressive Mobilisation, GPM, no dia seguinte, sábado, 18. Dia do esperado discurso de Lula.
O evento da sexta-feira, 18, organizado pelos quatro Núcleos do PT na Espanha (país onde há mais núcleos do partido criado por Lula), com quase uma centena de pessoas inscritas, pretende homenagear a resistência anti-imperialista do povo cubano, venezuelano, palestino e de diversos países dos continentes africanos, asiáticos e do Oriente Médio. Naquele mesmo dia, o presidente Petro fará conferência magistral na Aula Magna da UB.
Já no dia 16 de abril, antes do evento GPM, presidido por Sánchez, representantes dos movimentos sociais brasileiros na Catalunha participarão da assembleia anual dos delegados sindicais de Comisiones Obreras, com mais de três mil pessoas inscritas.
Mais informações sobre toda a programação, incluindo um almoço de confraternização no restaurante brasileiro Manga Rosa, poderão ser obtidas pelos WhatsApps: +34 603554437 (Flavia Costa) e +34 655328430 (Heike Weege).
Flavio Carvalho, sociólogo e delegado sindical de Comisiones Obreras.
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