No dia 21 de março de 2026, a Praia da Joaquina foi palco de uma mobilização comunitária em defesa das águas e dos ecossistemas costeiros de Florianópolis. A iniciativa integrou a programação oficial do Dia Mundial da Água 2026, promovido globalmente pela ONU por meio da UN-Water, e foi realizada pelo SOS Lagoa – Movimento Popular em Defesa da Lagoa da Conceição, pela Associação em Defesa das Dunas de Florianópolis (ADUF) e pela Associação de Surf da Joaquina (ASJ).
Sob o tema global “Água e Gênero: Onde a água flui, a igualdade cresce”, o encontro reuniu mutirão de limpeza nas dunas, plantio de mudas nativas, educação ambiental e uma roda de conversa entre lideranças indígenas e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em uma ação que mobilizou 28 voluntários, abrangendo cerca de 200 metros de extensão na praia, o grupo retirou aproximadamente 60 kg de resíduos do ecossistema costeiro. Um diferencial da atividade foi que os próprios participantes realizaram a triagem e a pesagem do lixo, transformando o mutirão em uma vivência prática de educação ambiental. A análise do material revelou um dado alarmante: a grande maioria dos itens recolhidos (62%) era de materiais recicláveis, como centenas de copos plásticos descartáveis, tampas e pequenos fragmentos. Como são muito leves, eles não representam a maior parte do peso na balança, mas são os principais poluentes espalhados pela areia.
O resultado escancara uma falha grave na economia circular. “O que encontramos na Praia da Joaquina vai além dos resíduos. É um reflexo direto das desigualdades, do modelo urbano de consumo e da forma como nos relacionamos com o território. Grande parte do que polui a Joaquina hoje poderia ser reciclada, mas acaba no meio ambiente por falhas nas políticas públicas e falta de logística adequada. O mutirão foi mais do que limpeza: foi um ato de consciência, justiça ambiental e transformação social”, avalia Julita Ferraz, da ADUF, que coordenou a análise dos resíduos. Os dados da coleta integram o relatório final enviado à plataforma oficial da ONU.
A defesa do território e das águas também pautou a roda de conversa, que contou com Silhanara Kaingang, curandeira e cantora; Ingrid Tupinambá, comunicadora e produtora cultural; e os pesquisadores da UFSC Alessandra Fonseca e Paulo Horta. O momento promoveu um diálogo inédito entre ciência, saberes indígenas e protagonismo feminino, evidenciando que as soluções para a crise ecológica passam pelo respeito às formas ancestrais de conhecimento.
O encontro ocorreu em um contexto ambiental crítico, marcado pela longa história de poluição da bacia da Lagoa da Conceição e pela recente perda da balneabilidade na Praia da Joaquina. Ao promover ações de cuidado nesse espaço, a iniciativa reforçou a urgência de tratar Lagoa, Dunas da Joaquina e oceano não como áreas isoladas, mas como partes de um mesmo sistema vivo e profundamente interligado.
Para os organizadores, o evento comprovou que a comunidade está disposta a construir respostas concretas diante da degradação do meio ambiente. O SOS Lagoa convida moradoras, moradores e interessados a se engajarem no movimento, acompanhando as próximas ações pelo perfil @soslagoadaconceicao no Instagram e preenchendo o formulário de adesão disponível no link da bio.
Serviço
Evento realizado: Jornada pelo Dia Mundial da Água 2026
Data: Sábado, 21 de março de 2026
Local: Praia da Joaquina, Florianópolis
Realização: SOS Lagoa da Conceição, ADUF e ASJ
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