Redação.- A decisão do prefeito Topázio Neto de exonerar diretores escolares eleitos pela comunidade após a greve dos servidores municipais provocou forte reação de professores, estudantes, familiares e movimentos sociais em Florianópolis. O tema foi debatido em entrevista conduzida por Rosangela Bion de Assis e Raul Fitipaldi, que ouviu a orientadora educacional Juliana Andózio e a mãe de estudante, Inajara de Almeida Mendes, da Escola Básica Municipal Darcy Ribeiro, no Rio Vermelho.
A greve dos servidores municipais, iniciada em 23 de abril, mobilizou trabalhadores de diversos setores da administração pública e durou 23 dias. Segundo as entrevistadas, o movimento buscava melhores condições de trabalho, valorização profissional e defesa dos serviços públicos. Após o encerramento da paralisação, a prefeitura passou a adotar medidas consideradas punitivas pelos trabalhadores, incluindo a exoneração de diretores escolhidos por eleição direta nas unidades escolares.
Um dos casos que mais mobilizou a comunidade foi o do diretor Renan, da EBM Darcy Ribeiro. Inajara de Almeida Mendes afirmou que a decisão gerou indignação entre pais, estudantes e profissionais da escola. Segundo ela, a comunidade construiu uma relação de confiança com a gestão eleita e não recebeu explicações transparentes sobre os motivos da exoneração.
“Nosso voto foi descartado”, resumiu a mãe de estudante, destacando que o diretor havia fortalecido o diálogo entre a escola e as famílias, além de atuar na busca por melhorias estruturais para a unidade. Para ela, a medida representa um desrespeito à participação democrática da comunidade escolar.
A insatisfação resultou em uma grande mobilização na escola. Pais, alunos, professores e moradores realizaram manifestações em defesa da permanência do diretor. Cartazes, abraços simbólicos e manifestações públicas marcaram o ato, que evidenciou o apoio da comunidade à gestão eleita.
Durante a entrevista, Juliana Andózio relacionou a exoneração a um contexto mais amplo de conflitos na educação pública municipal. Ela denunciou perseguições a educadores, precarização das condições de trabalho e tentativas de enfraquecimento da autonomia escolar. Segundo a orientadora, a situação do Rio Vermelho reflete problemas históricos enfrentados pelas escolas da região, incluindo deficiências estruturais e falta de investimentos adequados.
Juliana também criticou a ampliação da contratação de profissionais temporários e a ausência de concursos públicos suficientes para suprir a demanda da rede. Na sua avaliação, a dependência de contratos temporários fragiliza os trabalhadores e facilita práticas de pressão e intimidação por parte da gestão pública.
As entrevistadas defenderam que a greve não deve ser vista apenas como uma reivindicação corporativa, mas como uma luta em defesa da qualidade dos serviços públicos oferecidos à população. Inajara destacou que professores e demais profissionais da educação lutam por melhores condições para garantir um atendimento digno aos estudantes.
O caso das exonerações amplia o debate sobre democracia nas escolas públicas, participação da comunidade na gestão educacional e respeito às decisões tomadas por meio de eleições diretas. Para os críticos da medida, a retirada de diretores eleitos representa um retrocesso na construção de uma gestão democrática da educação municipal.
Enquanto a prefeitura mantém sua decisão, a mobilização da comunidade escolar segue ativa. Pais, professores e estudantes prometem continuar pressionando pela reversão das exonerações e pela preservação dos mecanismos de participação democrática nas escolas de Florianópolis.
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