
Por Sofia Andrade.
Mulheres organizadas pelo Movimento de Mulheres Olga Benário ocuparam, na madrugada de sexta-feira (13), uma casa abandonada no bairro José Mendes, em Florianópolis. A ação denuncia os altos índices de feminicídio em Santa Catarina e no Brasil, além da falta de estruturas adequadas de acolhimento para mulheres vítimas de violência.
Representantes do movimento alegam que o imóvel é terreno de Marinha cedido a um particular e possui diversas irregularidades. De acordo com moradores, a casa está abandonada desde 2014.
Por volta das 10:30 de sábado, a ocupação sofreu despejo e montou acampamento em espaço público, à beira da praia do bairro José Mendes. Na manhã deste domingo (15), uma moradora do bairro cedeu sua propriedade para a criação da casa de acolhimento.
A Ocupação Liberata integra uma jornada nacional do movimento realizada no dia em que se completam oito anos do assassinato da vereadora carioca Marielle Franco. Segundo as organizadoras, a mobilização busca fortalecer a organização das mulheres diante de um cenário de violência crescente. Apenas em janeiro e fevereiro de 2026, 8 mulheres foram assassinadas em Santa Catarina, segundo o Observatório da Violência Contra a Mulher.
O Movimento de Mulheres Olga Benário é conhecido por realizar ocupações em imóveis abandonados e transformá-los em espaços de acolhimento, formação, fortalecimento e organização de mulheres vítimas de violência.
Feminicídios e falta de estrutura
Segundo a deputada estadual Carla Ayres, Santa Catarina registrou 31.555 medidas protetivas apenas em 2025. No mesmo ano, foram contabilizados 52 feminicídios. Em 2026, o estado já aparece como o terceiro com mais casos desse tipo de crime no país.
Para a parlamentar, os números evidenciam a urgência de ampliar os espaços de acolhimento para mulheres em situação de violência.
Atualmente, Florianópolis conta com apenas uma Casa de Passagem para Mulheres em Situação de Violência e de Rua, com capacidade para atender cerca de 40 pessoas. Há também denúncias recorrentes de superlotação, falta de estrutura, insegurança e episódios de violência dentro da unidade.
De acordo com Ayres, a situação vem sendo acompanhada por seu mandato e pelo Ministério Público de Santa Catarina. Desde 2015, o órgão já teria feito diversas recomendações para melhorias no serviço. A gravidade das denúncias levou inclusive à abertura de inquéritos para investigar a situação da casa de acolhimento.
Para as mulheres do Movimento Olga Benária e apoiadores envolvidos na ocupação, a falta de políticas públicas de prevenção e acolhimento às mulheres vítimas de violência reforçam a necessidade de ocupações como essa. Surgem como uma forma de denúncia e também de construção de alternativas de acolhimento e organização para mulheres em situação de violência.
Descubra mais sobre Desacato
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





