
TeleSUR com agências.
Parlamentares democratas nos Estados Unidos expressaram sua forte oposição à ordem do presidente Donald Trump de iniciar um bloqueio militar e naval contra a Venezuela, alertando que se trata de uma escalada militar com o objetivo de forçar uma mudança de regime e se apropriar dos recursos energéticos venezuelanos.
A congressista Yassamin Ansari classificou a iniciativa como “profundamente alarmante” e afirmou que esta é uma guerra que “o povo americano não quer e que o Congresso não autorizou”. Segundo a congressista, trata-se de uma ação “imprudente e criminosa” que põe em risco a estabilidade regional e a vida de cidadãos americanos.
As críticas surgem em meio à crescente insatisfação interna com as políticas econômicas e comerciais do governo Trump, o que prejudica a unidade não só no Congresso, mas também dentro do próprio Partido Republicano. Além disso, contribui para a falta de confiança na atual administração.
Para diversos legisladores, a escalada contra a Venezuela também serve como uma distração das dificuldades econômicas internas, ao mesmo tempo que abre caminho para um confronto militar sem aprovação legislativa, em violação à Constituição dos EUA.
Como afirmou Bernie Sanders, também congressista democrata, “Não precisamos que Trump nos arraste para uma guerra ilegal e inconstitucional com a Venezuela para desviar a atenção das crises que nosso país enfrenta”. Ele denunciou o slogan “América Primeiro” e a própria política MAGA como demagógicas.
As declarações de Sanders, Ansari, Beyer e Van Hollen aumentam a crescente preocupação em setores do Congresso em relação ao anúncio de Trump de bloquear completamente os petroleiros venezuelanos, uma medida que a Venezuela denunciou como um ato de pirataria internacional e uma tentativa de impor um bloqueio naval de fato.
À medida que o governo dos EUA intensifica a pressão sobre a Venezuela, políticos, cidadãos e ativistas nos Estados Unidos alertam que uma guerra no Caribe não seria apenas ilegal, mas também politicamente custosa e moralmente indefensável, e advertem que o conflito poderia escalar incontrolavelmente, afetando tanto a região quanto os interesses do povo americano.
O anúncio de Trump surge após a apreensão, pelas forças americanas, de um petroleiro na costa da Venezuela na semana passada, uma ação incomum que se soma à crescente presença militar na região do Caribe.
Ao mesmo tempo, ele designou o governo venezuelano como uma organização terrorista estrangeira. Ele também afirmou, sem provas, que o governo bolivariano recorre ao “drogasterrorismo, tráfico de pessoas, assassinatos e sequestros”, apesar de organizações internacionais, como a ONU, terem declarado recentemente a Venezuela um país livre de drogas.
O destacamento militar dos EUA no Caribe e no Pacífico tem sido acompanhado por ataques contra embarcações de pesca civis, resultando na morte de pelo menos 95 pessoas em 25 ataques conhecidos contra navios.
A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, confirmou as tentativas dos EUA de apreender bens venezuelanos. Trump “quer continuar explodindo navios até que Maduro se renda”, declarou em entrevista à Vanity Fair publicada nesta terça-feira.
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