Neste momento em que entreguistas e traidores da pátria andam alvoroçados pela América Latina, numa competição frenética para ver quem consegue ser mais serviçal e subserviente a Donald Trump e ao imperialismo em conjunto, temos a grata constatação de que também contamos com gente com a dignidade, a grandeza e a coragem de Claudia Sheinbaum, presidenta do México.
É que o México também conta com figuras semelhantes a nossos bolsonaristas, os quais estão sempre dispostos a atuar com vistas a facilitar o trabalho dos senhores imperialistas em seus projetos para manter nossos países sob seu domínio e tutela, de modo que possam controlar e se apropriar de nossas riquezas.
Coincidentemente com o que está tentando fazer no Brasil, Donald Trump e seu governo estão procurando reforçar seu controle sobre o México com base no pretexto de combater as quadrilhas de narcotraficantes. Na tentativa de tornar aceitável essa intromissão indevida nos assuntos internos de nossos países, essas organizações criminosas estão sendo oficialmente declaradas como terroristas e, assim, uma ameaça aos próprios Estados Unidos.
Porém, a resposta dada hoje pela presidenta Claudia Sheinbaum não deve ter sido muito apreciada, nem pelos dirigentes do país imperialista nem, muito menos, pelos traidores da pátria locais. Ocorre que, diante de uma enorme multidão, que transbordou a principal praça da capital mexicana, ela não se omitiu nem recorreu a meias-palavras para se expressar a respeito da questão.
Para a líder do povo mexicano, se de verdade os Estados Unidos quisessem combater as organizações criminosas que ameaçam sua segurança ao fornecer drogas que prejudicam a população estadunidense, a primeira medida a ser tomada pelo dirigente daquele país seria reprimir severamente as organizações que fornecem quase todo o armamento utilizado pelos grupos delinquenciais do México. Sem dispor desse poder de fogo, os cartéis de traficantes não teriam a mínima possibilidade de manter suas operações na escala em que as realizam agora.
Em segundo lugar, ela reiterou algo que deveria ser sempre tido em conta por todos nós: se os Estados Unidos não oferecessem aos traficantes um mercado tão grande e ávido pelo consumo de drogas, nenhuma quadrilha de traficantes se sentiria estimulada a vender seus entorpecentes da maneira e nas quantidades que fazem na atualidade.
Portanto, depois de haver reiterado com toda firmeza que seu governo jamais compactuaria com a interferência gringa em questões que só dizem respeito às autoridades mexicanas, Claudia Sheinbaum disse que esperava que Donald Trump começasse a tomar medidas que venham a eliminar os riscos que um mercado consumidor de tanta voracidade causa, tanto ao México como aos outros países da América Latina.
Assim, no dia de hoje, podemos dizer que tivemos a alma lavada ao ver reforçada nossa convicção de que, por mais que os traidores ao estilo bolsonarista existam, nós da América Latina ainda contamos com líderes do porte de Claudia Sheinbaum, uma mulher que, além de sua firmeza e coragem, sabe muito bem o quão importante é recorrer ao povo mobilizado nas horas dos grandes desafios.
Oxalá o exemplo de Claudia Sheinbaum sirva como um farol que ajude a iluminar o caminho para todos os que lutamos por conquistar e manter nossa dignidade frente ao mais feroz e criminoso império na história da humanidade.

Jair de Souza é economista formado pela UFRJ; mestre em linguística também pela UFRJ.
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