
DECLARAÇÃO
“Não toleraremos nenhuma forma de dominação, seja econômica, política ou militar.” Liber Seregni, 26 de março de 1971.
A ofensiva do governo dos Estados Unidos, liderada pelo presidente Donald Trump contra a Venezuela, atingiu um nível de severidade sem precedentes e constitui a expressão mais evidente da reativação operacional da Doutrina Monroe, um mecanismo histórico, que remonta ao século XIX, de dominação e intervenção contra os países da América Latina e do Caribe.
O destacamento regional de tropas, destróieres, aeronaves e sistemas de armas estratégicas não só ameaça diretamente a soberania da Venezuela, foco explícito da ofensiva atual, como também implica criticamente a Colômbia, que declarou claramente sua orientação política na defesa de sua soberania e da região.
Como esta operação está enraizada na lógica do poder hegemônico, o pretexto da guerra às drogas, usado para mascarar a potencial invasão militar, desmorona sob seu próprio peso. O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime não classifica a Venezuela como um produtor significativo de cocaína. No entanto, a DEA reconhece que 90% da cocaína que chega aos Estados Unidos entra pelo Pacífico e pelo Caribe Ocidental.
Nesse sentido, consideramos extremamente graves o fechamento obrigatório do espaço aéreo venezuelano e as ações militares do imperialismo estadunidense contra embarcações civis, que normalizam o uso extraterritorial de força letal sem supervisão judicial, sob o rótulo amplo e politicamente oportunista de “narcoterrorismo”.
A região como Zona de Paz, princípio adotado pela Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e apoiado por todos os governos do continente, representa um mandato político e ético para a Frente Ampla.
Defendemos o diálogo para a resolução de conflitos e o multilateralismo como ferramentas fundamentais para a construção da paz e da governança global. Pelos motivos expostos acima, condenamos qualquer tentativa de invasão contra a Venezuela, exigimos a retirada imediata das tropas estadunidenses e rejeitamos a “Estratégia de Segurança Nacional” lançada pelo governo Donald Trump, que viola o direito internacional e o respeito à soberania e autodeterminação de nossos povos.
COMITÊ POLÍTICO NACIONAL DA FRENTE AMPLA
Montevidéu, 8 de dezembro de 2025
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