MPA: Carta aos militantes, amigos e parceiros/as de luta

Foto: reprodução internet.

O Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) tornou público na primeira hora desta tarde, 30 de outubro, uma Carta Documento a toda militância, camponeses, camponesas, amigos e parceiros de luta da organização. No documento o Movimento afirma que “é hora de ânimo, a luta segue e o campesinato resiste”, mesmo que o cenário político que o país vive traga desanimo, não podemos permitir que a mística, a história e a luta popular seja tomada pelo desanimo pós-eleitoral.

Confira a Carta Documento na integra:

 A toda militância, camponeses e camponesas, [email protected] do MPA

 É hora de ânimo, a luta segue e o campesinato resiste

Por mais que o cenário e o resultado das urnas no dia 28 de outubro de 2018, nos tragam desanimo, não podemos permitir que nossa mística, nossa história e nossa luta sejam tomados por esse sentimento tão frio e desmobilizador.

Vemos à nossa frente a materialização de mais uma das fases do golpe que iniciou em 2016, desta vez ele se “legitima” via a eleição de um mero representante dos interesses do capital e da burguesia. No entanto, em nenhum momento, observamos estáticos esse processo, pelo contrário, a Campanha do campo popular com Haddad e Manuela, assim como as eleições nos governos e parlamentos do campo progressista, seguramente foi uma das batalhas mais intensas e coletivas dos últimos trinta anos em nosso país, e que mesmo com o resultado de ontem, produzimos consideráveis vitórias eleitorais, que se conformam como focos sólidos de resistência para os próximos períodos.

E nós camponeses e camponesas fomos e somos parte ativa, fundamental nessa trincheira, desde os trabalhos em nossas bases e comunidades, até a doação integral de meses nas brigadas populares, em várias cidades de nosso país.

Não encaremos o resultado das urnas como incapacidade de nosso campo, mas sim como fator da luta de classes, tomamos partido ficamos ao lado dos verdadeiros interesses da nação, das vontades e necessidades dos oprimidos, encerramos um processo de luta que até então estava se dando pela via eleitoral. Seguiremos incansavelmente uma fase de luta popular e política, com os mesmos objetivos, retomar os direitos do povo e reconectar o Brasil a um projeto popular com cheiro e rosto de povo. Para isso não será necessário esperarmos o 1º de janeiro, desde já estamos em luta.

Caberá a nós camponeses e camponesas e a nossa organização seguir o processo de enfrentamento aos fascistas que tomarão ares em nosso país. Seguramente enfrentaremos um processo de endurecimento ainda maior contra nossas organizações, principalmente às camponesas. Deste modo precisamos intensificar nossa organização, nossa disciplina, nosso estudo permanente, organizar nossa alto-defesa nos territórios e nossa prática militante. Precisaremos estar [email protected] das bases, jamais se isolar ou desconectar da grande rede antifascista que construímos via a Frente Brasil Popular, campo unitário, comitês de defesa da democracia e da Via Campesina em todos os territórios de lutas neste país.

Temos em nosso DNA camponês um histórico ativo de luta antifascista, estivemos presentes diretamente em grande parte das resistências populares, em vários rincões do mundo, seja na União Soviética, na Espanha, no Chile, Cuba, Nicarágua, El Salvador, nas Ligas Camponesas a partir de 1964 e uma vez mais lutaremos contra esse mal em nosso país. Sejamos guiados por e na resistência ao golpe de 64. Sabemos que nós, movimentos sociais, seremos foco de ataques intensos do governo Jair Bolsonaro. Caberá a nós a lucidez para estes momentos, precisaremos intensificar nossas formas de organização, táticas e estratégias defensivas; e um profundo processo de fortalecimento de nossas bases. Jamais iremos nos isolar ou nos fragmentar. É momento de fincarmos o pé no chão, não esquecer que jamais devemos soltarmos as mãos uns dos outros. A roda da História continuará girando, e nela precisaremos de mais companheiros e companheiras.

Avante Camaradas, ânimo, é hora de colocar a alma em nossas ações! Nos sobram motivos para lutar e nenhuma razão para desistir, somos responsáveis pelas futuras gerações e é por elas que nossas bandeiras se manterão erguidas tremulando para a liberdade!

Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA outubro de 2018

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