Por Roberto Liebgott, Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Venezuela, bela e diversa, guardiã de mares, rios, florestas e montanhas.
Terra onde a vida pulsa em muitas línguas, muitos rostos e muitos caminhos.
Terra dos povos originários, que carregam saberes antigos e a profunda ligação com a Mãe Terra.
Terra das irmãs e irmãos negros, herdeiros de resistências construídas entre dores, violências e a força de sobreviver e reinventar a vida.
Terra também marcada pelas sombras da colonização, da expropriação e das feridas que ainda atravessam gerações.
Venezuela, que o mundo tantas vezes enxergou pelo brilho do petróleo, mas que é muito maior do que suas riquezas escondidas sob o chão.
É terra de memórias.
De gentes.
De culturas.
De canto, fé, tradição.
De luta e esperança.
Mas também é lugar onde o poder, a ambição e a ganância tantas vezes produziram sofrimento.
Onde diferentes formas de dominação, de sanções econômicas e embargos deixaram marcas profundas, ferindo a dignidade daqueles que mais precisam de justiça.
Venezuela, teu chão guarda histórias antigas. Nele repousam lembranças, sonhos e lamentos.
Nele a Mãe Terra continua clamando por cuidado, equilíbrio e paz.
Hoje tua terra treme.
E no tremor das montanhas e dos caminhos, escutamos também os gritos daqueles que sofrem, daqueles que perderam seus bens, seus lugares, seus afetos.
Não basta explorar a terra até o limite.
Não basta transformar riquezas naturais em disputas de poder.
A vida pede respeito, cuidado e fraternidade.
Venezuela, terra de um povo que resiste e segue caminhando.
Que venha a solidariedade.
Que venha a justiça.
Que venha a paz.
Que nenhuma dor seja esquecida.
Que nenhum povo seja reduzido às suas riquezas.
Venezuela, de irmãs e irmãos latinas e latinos, há de se reafirmar, de que antes e depois de todos os males existe vida, existe humanidade, existe esperança.
Porto Alegre (RS), 28 de junho de 2026.
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