Soldados israelenses são instruídos a atirar contra famintos em busca de comida, revela imprensa de Israel

"É um campo de extermínio", disse um soldado das FOI, citado pelo Haaretz. "Matam de um a cinco por dia, como se fossem alvos militares".

(À esq.) – Militar israelense; (À dir.) – Organizações de caridade distribuem alimentos para palestinos no Campo de Refugiados de Nuseirat, na Cidade de Gaza, em 26 de junho de 2025.

Soldados israelenses que atuam em Gaza revelaram ao jornal Haaretz que o exército tem atirado intencionalmente contra civis palestinos próximos a centros de distribuição de ajuda humanitária, segundo reportagem publicada pelo jornal nesta sexta-feira (27).

Segundo os relatos, os comandantes ordenam disparos contra multidões mesmo quando não há qualquer ameaça. “É um campo de extermínio“, disse um soldado. “Matam de um a cinco por dia, como se fossem alvos militares”.

Civis famintos sob fogo pesado

Desde o fim de maio, ao menos 549 palestinos foram mortos e mais de 4 mil ficaram feridos nessas áreas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

O exército israelense usa metralhadoras pesadas, morteiros e até tanques contra pessoas que tentam conseguir comida. “Não usamos gás lacrimogêneo nem meios de dispersão. É só fogo real”, confessou outro combatente.

Os centros de ajuda foram criados por uma “fundação humanitária” ligada a evangelistas norte-americanos aliados a Netanyahu e Trump.

Mas, segundo os soldados, a distribuição é caótica e a “comunicação” com os civis se dá por meio de tiros. Além disso, o exército protege empreiteiros privados que lucram com a demolição de casas palestinas — e frequentemente entra em confronto com civis ao se aproximarem de áreas de ajuda.

Ordem é atirar, não importa em quem

“Não há qualquer ameaça real. As ordens são afastar civis com munição real”, afirma um oficial. Um reservista completou: “Normalizaram o assassinato de inocentes. Dizem que não há civis em Gaza, e isso virou regra”.

Mesmo diante das crescentes denúncias, as investigações internas do exército seguem superficiais. Como disse um oficial ouvido pelo Haaretz, “a discussão é se o uso de artilharia afeta a imagem de Israel — não o fato de dezenas morrerem todos os dias só porque estavam com fome”.


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